‘Vingadores’, para desmentir Martin Scorsese

De Redação Estadão | 23 de fevereiro de 2020 | 08:30

Virou a maior polêmica desde que, no ano passado, Martin Scorsese criticou o universo Marvel, dizendo que não era cinema. O próprio Scorsese voltou atrás, dizendo que suas palavras haviam sido descontextualizadas e reconhecendo que muitos diretores talentosos têm deixado sua marca nesses blockbusters. Mas não dá o braço a torcer – reitera que não é o tipo de filme de que gosta. Os irmãos Russo, Anthony e Joe, reconheceram o direito de Scorsese de dizer o que pensa e o que quer, mas lamentaram – Marty admitiu que estava criticando sem ver os filmes, e os Russo lembraram que foram solidários quando A Última Tentação de Cristo enfrentou censura, em diversos países, e eles haviam visto o filme.

Para avivar um pouco a discussão, um dos maiores sucessos do Universo Marvel estará de volta neste domingo, às 17h20, no Telecine Pipoca: Vingadores – Guerra Infinita. Na cronologia dos Avengers, o filme lançado em 2018 precede Ultimato, que arrebentou nas bilheterias em 2019. Rememorando – Homem de Ferro, Thor, Hulk e os demais vingadores unem-se a Pantera Negra e aos Guardiões da Galáxia para enfrentar seu maior pesadelo. Thanos está coletando as seis pedras mágicas que lhe darão poderes absolutos – para destruir o universo, ou remodelá-lo segundo sua vontade. Os Russos dirigem. Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Tom Holland, Chris Pratt, Chadwick Boseman interpretam. O filme tem ação, humor, efeitos – romance. Esqueça Scorsese. Afinal, tem gente que também não gosta muito de O Irlandês. Muitas piadas na noite do Oscar foram sobre a duração (infinita) da primeira temporada de The Irishman, perdão, do longa da Netflix, e põe longa nisso.

Uma coisa que não nega fogo para os fãs dos Avengers é a pergunta que não quer calar. As cenas favoritas, as melhores – quais são? A chegada de Thor em Wakanda, a fala do Drax (“Como se um pirata tivesse um filho com um anjo”) e, claro, a Feiticeira Escarlate destruindo a joia da mente e matando o Visão enquanto tentava segurar o Thanos. O que leva a uma constatação imediata – num filme com tantos astros e estrelas, é preciso destacar as participações de Elisabeth Olsen e Paul Bettany. São bons demais. Conseguem dar densidade a seus personagens. O filme termina com o apocalipse de Thanos. Destruição e mortes, inclusive de super-heróis. Terminar Guerra Infinita desse jeito foi a grande sacada – e o grande desafio – dos Russo. Como se corta assim o cordão umbilical que liga o público a seus personagens favoritos? Na verdade, o filme seguinte já estava (quase) pronto, Ultimato. A reação dos Vingadores ao poder de fogo de Thanos. O esforço titânico para reverter o tempo. No processo, outros heróis serão sacrificados e as filhas de Thanos vão crescer em importância. Talvez seja o problema de (re)ver Guerra Infinita. A vontade será emendar com Ultimato. Dos Russo, de novo.

Luiz Carlos Merten
Estadao Conteudo
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