A fantasia como espelho que reflete a realidade

De Redação Estadão | 9 de março de 2020 | 09:01

Tudo começa na festa de 16 anos de Ian. Nada está dando certo na vida do garoto elfo e, para animá-lo, sua mãe lhe dá um presente especial, deixado por seu pai. É um cajado, que logo revela possuir poderes mágicos. Ian e o irmão invocam o poder do cajado para trazer o pai de volta, mas o máximo que conseguem, na recriação da figura paterna, é chegar à cintura. Um par de sapatos, uma calça, um cinto. É tudo. E começa uma corrida para completar o pai. Em entrevista, no recente Festival de Berlim – Dois Irmãos, Uma Jornada Fantástica passou fora de concurso -, o diretor Dan Scanlon contou que tinha um ano quando seu pai morreu. O irmão tinha três. Os dois cresceram sonhando como seria esse pai, que conheceram de fotos.

Um dia, um tio enviou-lhe uma fita cassete com a voz do pai. Mas ele dizia apenas duas palavras. “Alô” e “Adeus”, Hello and Goodbye. Como esses parcos elementos conseguem preencher um vazio imenso, uma vida inteira? Com a ajuda da magia. Scanlon, diretor de Carros e Universidade Monstros, define Dois Irmãos como seu filme mais autoral. Agradece à Pixar/Disney por lhe incentivar a autoralidade, mesmo à frente de centenas de pessoas na condução do projeto. “O que a Pixar defende”, segundo ele, “são as histórias humanas”. Tom Holland, o Homem-Aranha, e Chris Pratt, da nova série do Parque dos Dinossauros, dublam os irmãos, Ian e Barley.

“Ian é tímido, Barley é confiante. Precisava de atores que me dessem esse balanço de introversão e extroversão.” Embora habitada por elfos e unicórnios, a história passa-se num mundo semelhante ao nosso – real? Para incrementar a ação, há um game. Em dezembro, o painel de Scanlon já havia sido o mais disputado da CCXP, no São Paulo Expo. Em Berlim, havia gente chorando no fim da sessão. A fantasia pode ser, e com Scanlon é, espelho da realidade.

Luiz Carlos Merten
Estadao Conteudo
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