A luta de um menino para se livrar da ignorância

De Redação Estadão | 4 de maio de 2020 | 07:40

Em 1977, Roberto Rossellini presidia o júri de Cannes, integrado pelo escritor Carlos Fuentes, pela crítica Pauline Kael e pela atriz Marthe Keller. Premiaram Pai Patrão com a Palma de Ouro, o que levou o diretor do festival, Robert Favre le Bret, a publicar um polêmico artigo em que dizia que, a partir daquele momento, iria sempre desconfiar dos amadores esclarecidos. A quem queria atingir?

Pai Patrão, dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, é a atração desta segunda, 4, no canal Arte 1, às 23 h. Baseia-se no livro de Gavino Ledda, e o próprio escritor sardo aparece em cena para legitimar o relato sobre a sua transformação de garoto analfabeto que precisou desafiar a autoridade do pai para se firmar como grande linguista.

Rossellini estava na fase de defender a televisão como veículo de conhecimento e o filme foi produzido pela RAI, que se tornou a grande parceira do cinema italiano. A polêmica é que havia outro fortíssimo concorrente da Itália, e Um Dia Muito Especial, com Sophia Loren e Marcello Mastroianni, de Ettore Scola, não levou nada. E, também, 1977 foi ano em que Glauber Rocha recebeu o prêmio especial do júri pelo curta Di Cavalcanti, em que transformou o funeral do pintor numa indagação carnavalesca sobre o artista e a própria identidade nacional.

Luiz Carlos Merten
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