'A Maldição do Espelho' é terror risível de Loznitsa

De Redação Estadão | 16 de março de 2020 | 07:30

A se julgar por autores como Sergei Loznitsa, a Rússia de Vladimir Putin é um horror. A última do czar moderno é incentivar campanha para zerar seus 16 anos de governo, para que ele permaneça no poder. Coincidência, ou não, tem havido um florescimento do cinema de gênero no país e, depois de A Dama do Espelho – O Ritual das Trevas e A Noiva, surge A Maldição do Espelho, já em cartaz no Brasil. Só para constar, The Mirror Crackd/A Maldição do Espelho já era o título de um mistério adaptado de Agatha Christie, em 1980.

O longa de Aleksander Domogarov prossegue com o conceito, já expresso em O Ritual das Trevas, de que espelhos podem ser o portal para os mortos e entrada para o universo da Rainha de Espadas. Casal de irmãos é enviado para internato após a morte da mãe. O internato fica na mansão que a Rainha habitava e um desejo, formulado diante do espelho, faz com que ela ressurja para instaurar o reinado do terror.

Casa amaldiçoada e entidade maligna estão longe de ser novidade no cinema de gênero. O filme tem sido alvo de chacota. Sério candidato a pior do ano, assusta mais pela mediocridade. O começo até que levanta certas questões – a falta de conexão emocional entre os irmãos, por exemplo. Numa cena aflitiva, a garota tenta fugir e o irmão está se afogando no lago. Como foi parar ali? Na segunda ou terceira vez que o grande susto é um reflexo no espelho – que desaparece em seguida -, o espectador, precavido, não se impressiona mais. Puro déjà-vu.

O aspecto mais curioso de A Maldição do Espelho é justamente esse. A lenda original pode ser russa, mas os códigos – e a linguagem – são hollywoodianos. O próprio cinema brasileiro de terror enfrenta esse desafio. Ser original, não apenas no tema. O fato de A Rainha de Espadas ser dublado em inglês complica ainda mais. Não só a falta de sincronia dos movimentos labiais é risível, como fica com cara de filme B (ou C, ou D) americano. O twist final abre caminho para uma sequência.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Luiz Carlos Merten
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