A receita de Claude Troisgros para levar seu carisma da cozinha à tela da TV

De Redação Estadão | 30 de abril de 2020 | 07:00

Como outras áreas da sociedade, a gastronomia também está queimando os neurônios para conseguir driblar as adversidades decorrentes da pandemia do coronavírus. Cada uma segue um caminho, buscando alternativas para sobreviver ao fechamento temporário de seus estabelecimentos. À frente do reality de gastronomia Mestre do Sabor, que estreia nova temporada nesta quinta-feira, 30, Claude Troisgros tem ao seu lado, além do fiel escudeiro Batista, seus pares Léo Paixão, Kátia Barbosa e Rafael Costa e Silva, que integram a atração como jurados. Além de estar no programa, cada um precisa encontrar formas para manter seus negócios em atividade, procurando se manter nessa fase de isolamento social.

Nascido na França há 64 anos e formado pela Escola de Hotelaria Thonon les Bains, o chef Claude Troisgros chegou ao Brasil em 1979. Mantendo seu charmoso sotaque, do qual se orgulha, o cozinheiro tem feito história pelas terras brasileiras, mantendo-se à frente de seus restaurantes e, principalmente, cativando o público de televisão, chegando a estrelar alguns programas.

“O meu sotaque é genuíno, falo em francês com meu pai e irmãos diariamente, então isso acaba reforçando o sotaque. Acho que virou uma marca registrada.” Simpático e sempre com um sorriso largo, tendo a seu lado o fiel escudeiro Batista, ficou nacionalmente conhecido por sua postura frente a atrações como Que Marravilha! e sua versão Chato pra Comer, do GNT. E é também o caso do reality mais recente, Mestre do Sabor, que estreia esta noite na Globo.

Com a gastronomia em sua linhagem, é neto e filho de grandes nomes da área na França e, consequentemente, no mundo. Desde que chegou aqui, teve a meta de valorizar a cozinha brasileira. Conquistado seu espaço no País, o chef cativa com sua forma de falar e agir, chegando a ser tema de documentário, que o seguiu pelas estradas, percorridas em cima de sua moto.

À frente de Mestre do Sabor, nesta temporada ele avisa que haverá novidades, como é o caso da participação da atriz Monique Alfradique, responsável por mostrar os bastidores. Além dela, o programa conta ainda com a entrada do chef Rafael Costa e Silva, que substitui o cozinheiro português José Avillez. “Também temos mudanças nas provas, que passam a ter a etapa de repescagem”, avisa Claude.

Mostrando muito carinho por esse trabalho na TV, o chef explica que a primeira seleção dos participantes é feita pela produção. Ao todo, serão 18 na competição inicial. “Eu participo com o Boninho e outros diretores da segunda seleção, por meio de receitas e vídeos que são enviados”, explica. E ele lembra que a fase de eliminação, que tem como base a temporada anterior, é carregada de emoção, pois alguns cozinheiros são eliminados por diferenças mínimas e isso, para ele, “faz o coração disparar e emociona o tempo todo”. O chef ressalta que as provas em que os pequenos produtores contam sua história de vida o marcaram muito.

Com relação ao momento atual, Claude deixa claro que o trabalho de higienização dos alimentos quando chegam de fora é muito importante, mas isso independente da situação de agora, pois a limpeza deve acontecer sempre, com tudo, frutas, legumes, verduras. “Na porta da minha casa, temos máscaras, álcool em gel e recebemos tudo usando máscara. Passamos álcool em tudo – primeiro por fora, na embalagem, antes de guardar.”

Mas, ao falar de Claude, não há como evitar a lembrança de seu colega de trabalho, João Batista ou, como é popularmente conhecido, Batista, alguém que representa muito. “Ele é um irmão”, diz Claude. “Nós nos conhecemos há quase 40 anos e nossa relação é de amizade, confiança e muito respeito. A gente só precisa se olhar para saber o que o outro está pensando e quer fazer”, afirma o chef. O sentimento, claro, é recíproco.

Batista revela que trabalha nos restaurantes com Claude desde que saiu da Paraíba, há quase 38 anos. “Temos muitas histórias juntos. Eu o também o considero como um irmão. Aprendi muito com o Claude, mas também pude ensinar algumas coisas sobre a cozinha brasileira, principalmente a do Nordeste. Claude está sempre aberto a sugestões. Essa troca que o público vê na TV é verdadeira.”

Para Batista, o fato de ser visível essa boa receptividade do público com a dupla é em razão de as pessoas “perceberem que há um sentimento verdadeiro. Que não tem nada combinado. É tudo espontâneo”, acrescenta.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Eliana Silva de Souza
Estadao Conteudo
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