'Altas Horas', 20 anos

De Redação Estadão | 6 de março de 2020 | 07:15

A sede da TV Globo em São Paulo está movimentada. De um lado para outro, carrinhos deslizam pelos corredores com caixas e equipamentos, provocando um barulho intermitente. “Vamos esperar o metrô passar”, repetia o apresentador Sergio Groisman, entre uma fala e outra. “Isso deve ser coisa do Fausto Silva”, continua.

O jornalista e apresentador recebeu a imprensa na sede da emissora, na última terça, 3, para falar sobre o início das comemorações de 20 anos do Altas Horas, no ar aos sábados, desde 14 de outubro de 2000. O primeiro programa desse período de celebrações vai ao ar neste sábado, 7, com o apresentador Galvão Bueno, o surfista Gabriel Medina e o cantor e compositor Milton Nascimento.

Em duas décadas de programa, mais de 1 milhão de pessoas já sentaram na plateia, de acordo com Serginho. Já o número exato de convidados é algo que está longe da cabeça do apresentador. “Iniciamos este projeto de comemoração no ano passado e estamos revendo arquivos, checando quem ainda está vivo.”

De fato, é difícil imaginar um artista, especialista ou personalidade que não tenha passado pelo grande auditório do Altas Horas. Mas também há encontros que não saem da memória do apresentador, alguns históricos. “Não me esqueço do programa-piloto, que teve Cássia Eller com Elza Soares. Em outro programa, recebemos Rita Lee e a banda original do Tim Maia. São materiais raros e únicos na televisão brasileira.”

Serginho promete resgatar – na medida do possível – grandes momentos. Um deles é trazer ao palco a formação original dos Titãs, com Branco Mello, Sergio Britto, Tony Bellotto, Arnaldo Antunes, Charles Gavin, Paulo Miklos e Nando Reis. A exceção é do guitarrista Marcelo Fromer, morto em 2001.

A presença de convidados musicais sempre agitou a turma do “vida inteligente na madrugada”, como diz o bordão do programa. Para o apresentador, é um dos principais termômetros para compreender uma audiência que viu chegar a produção do streaming e mudou até o jeito de consumir música. Acompanhado por um público adolescente e jovem, Serginho reconhece que a internet sacudiu a televisão, consolidou novos hábitos, mas que, para além de entender sua audiência, o Altas Horas – e a Globo – ainda confia na força da telinha, pura e simples. “O radar precisou aumentar sua força. Quando a plateia chega aqui, já consumiu conteúdos de uma outra forma, seja por vídeos e outras plataformas”, explica. “Mas o que mantemos é a vocação de fazer TV aberta para quem gosta de TV aberta. Isso não vai mudar.”

É uma missão que Serginho persegue desde que chegou à televisão, aos 40 anos. “Apesar de manter um público jovem, eu já sabia que não podia me comportar como alguém de 16 anos.”

Antes da telinha, o jornalista dirigiu a equipe da Rádio Cultura AM. Imaginava que ficaria por lá durante muito tempo. Foi quando seu programa Matéria Prima ganhou plateia e foi transferido, em 1990, para a TV Cultura, onde foi exibido até 91. “O formato do Altas Horas já tem 30 anos”, completa ele.

O sucesso chamou a atenção de Silvio Santos, e Serginho foi chamado para bater um papo com o dono do SBT. “O Silvio não pediu para mudar nada, era para eu fazer a mesma coisa, agora como Programa Livre. Ele queria contratar até o mesmo cenógrafo da TV Cultura.”

Novidades

Mas o Altas Horas não vive apenas de memória. Comemorar também é olhar para frente. Serginho conta que o programa terá quadros novos, encontros reformulados e a vontade de gravar fora dos estúdios Globo, embora lamente “a falta de recursos”. “Já apresentamos no Piscinão de Ramos e em Salvador. Naquela época, era assim: Vamos? Claro! Hoje é preciso viabilizar.”

Algumas novidades já serão lançadas neste sábado, 7. “Vamos batizar o palco do programa em homenagem ao Milton Nascimento.” A presença de Galvão Bueno no primeiro programa comemorativo também não será à toa. A cada sábado, o Altas Horas vai promover reencontros entre convidados e plateia. “Fomos atrás de algumas pessoas que fizeram participações divertidas.” Outro desejo de Serginho também será concretizado: a volta da banda Altas Horas, que tocou nos programas de 2004 a 2016.

São medidas que não escondem um desejo de “amadurecer”. Ele lembra de uma noite em que reuniu o público de Sandy & Junior com a dupla. “São momentos muito esperados por muitos fãs. Mas é importante que tenha coisas diferentes para que todo mundo posso aproveitar.” Nessa mistura de música, convidados globais e personalidades, o Altas Horas também quer apostar em reportagens. “Quero visitar e conhecer movimentos tocados por jovens, como é o caso do Passe Livre e do Mídia Ninja”, conta.

Durante a entrevista, o que todo mundo queria saber mesmo era o destino do divertido quadro com a psicóloga e sexóloga Laura Müller. Pelas redes se espalham inúmeros trechos do programa, com jovens tímidos ou ousados fazendo – quase sempre – as mesmas perguntas sobre sexo. Para Serginho, é hora de mudar. “É divertido, porque o jeito que eles perguntam sempre surpreende.
Mas as dúvidas já estão em um top 10.” Uma solução é levar Laura para a rua. “Queremos fazer gravações em diferentes lugares, no interior de São Paulo. Acredito que vão surgir novas perguntas e as pessoas vão interagir de outro jeito.”

Querido pelos artistas e por seu público, o programa de Serginho não é do tipo que coloca os convidados em armadilhas. Um clima assim não nasce do dia para a noite. “Não sei como começou, mas procuro manter respeito por todos, do convidado famoso à caravana que viajou 16 horas para estar aqui. Só paro de fazer isso quando meu público quiser.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Leandro Nunes
Estadao Conteudo
Copyright © 2020 Estadão Conteúdo. Todos os direitos reservados.

Deixe um comentário