Anabolizado em 2018, PSL não emplaca nas capitais

De Redação Estadão | 16 de novembro de 2020 | 07:12

A onda “bolsonarista” que marcou a eleição de 2018 não se repetiu nas disputas municipais deste ano. Após eleger o presidente da República, três governadores, quatro senadores, 52 deputados federais e 76 estaduais há dois anos, o PSL naufragou nas principais cidades do País. O presidente Jair Bolsonaro deixou a sigla no ano passado, mas discute um retorno para disputar a reeleição em 2022.

O partido dono da segunda maior fatia do fundo eleitoral – dinheiro público usado para financiar campanhas -, com R$ 199,4 milhões, não conseguiu levar seus candidatos ao segundo turno nas 14 capitais que disputou e, de acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)até a 1h, havia conquistado apenas 53 prefeituras, número bem abaixo de siglas como MDB (448), Progressistas (415), PSD (449) e DEM (309).

O “fiasco” do PSL ficou evidenciado nos dois maiores colégios eleitorais do País. Antes tratada como candidatura prioritária da sigla, a deputada Joice Hasselmann amargou um sétimo lugar na corrida eleitoral de São Paulo, com menos de 2% dos votos. No Rio, o deputado Luiz Lima também teve desempenho fraco, com 6% dos votos e a quinta colocação.

“O futuro do PSL para 2022 depende do retorno do (presidente Jair) Bolsonaro ao partido. Nesta eleição, em 2020, o PSL mostrou que naufraga sem o Bolsonaro. O PSL tem fundo eleitoral de partido grande, e desempenho eleitoral de partido nanico”, afirmou Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor de Ciência Política da FGV São Paulo.

Enquanto isso, o DEM, partido que hoje comanda as duas casas do Legislativo federal, foi o que mais cresceu nas capitais ao eleger três prefeitos logo no primeiro turno depois de ter apenas um eleito em 2016 – Bruno Reis, em Salvador, Gean Loureiro, em Florianópolis, e Rafael Greca, em Curitiba. A sigla ainda disputará o segundo turno no Rio de Janeiro, com Eduardo Paes.

O bom desempenho da sigla após um longo período de declínio em disputas passadas só é comparável ao quadro de 1988, quando o DEM ainda se chamava PFL. Naquele ano, elegeu 1.058 prefeitos no País, sendo cinco em capitais.

“É um alargamento do DEM, seja o DEM raiz, seja o DEM inflado, que recebeu dois políticos em suas frentes que estão se reelegendo”, destacou o cientista político Humberto Dantas, coordenador do Master em Liderança e Gestão Pública do Centro de Liderança Pública (CLP).

O MDB, tradicionalmente o partido com maior capilaridade nacional, mantinha a liderança em número de prefeituras segundo dados da apuração até o início da madrugada. Com 3.398 prefeituras já definidas, 448 ficaram com o partido, enquanto os partidos do centrão PSD e PP reuniam, cada uma, 449 e 415, respectivamente. A sigla terá candidatosno segundo turno em sete capitais. Em 2016, conseguiu quatro.

Esquerda

Já o declínio do PT nas grandes capitais continua. Em 2016, no auge da Operação Lava Jato, o partido foi o principal derrotado daquelas eleições, faturando apenas uma capital no primeiro turno – Rio Branco (AC), com reeleição de Marcus Alexandre. Desta vez, a legenda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não venceu em nenhuma capital. O partido disputa o segundo turno no Recife, com Marília Arraes, e em Vitória, com João Coser, ex-prefeito da cidade.

Com a dificuldade do PT de retomar tração, outros partidos da esquerda ganharam espaço. Guilherme Boulos (PSOL) disputará o segundo turno em São Paulo contra Bruno Covas (PSDB). Em Belém, o deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL), que já governou a capital paraense por dois mandatos quando era filiado ao PT, disputará a prefeitura com o Delegado Federal Eguchi (Patriota).

O PSDB manteve o controle sobre a prefeitura de Palmas, com a reeleição de Cinthia Ribeiro, e Natal, com Alvaro Dias. A silga ainda disputará o segundo turno em três capitais – São Paulo, Teresina e Porto Velho. Ainda que vença todas, terminaria com menos prefeituras nas capitais do que em 2016, quando abocanhou sete. A legenda foi a segunda a eleger mais prefeitos há quatro anos. “O PSDB pode estar perdendo espaço para o Centrão. É de se destacar o crescimento do PP e do PSD como principais partidos nesse campo de centro-direita”, disse Rennó.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Rafael Moraes Moura e Breno Pires
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