Artesã dos '3 reais' move processo contra cem empresas por uso indevido de imagem

De Redação Estadão | 20 de fevereiro de 2020 | 17:09

A artesã Raquel Motta, que protagonizou um meme com a frase “3 reais”, anunciou que irá processar cem empresas que teriam usado sua imagem sem a autorização. Os valores de indenização chegam a R$ 8.900.000.

O meme surgiu em janeiro de 2019 quando Raquel apareceu no programa É de Casa, da Rede Globo, no qual falou sobre carteiras artesanais. Quando a apresentadora Ana Furtado perguntou quanto havia sido gasto para produzir os produtos, a resposta, “3 reais”, foi repetida diversas vezes pelas duas, gerando piadas na internet.

Raquel ficou famosa em pouco tempo, e passou a aparecer em diversos anúncios publicitários. O problema, segundo ela, é que empresas começaram a usar a imagem dela no Instagram, junto com o novo bordão, sem fazer nenhum acordo ou pedir autorização. “Eu estava muito assustada, pois cada dia chegavam mais empresas, um dia eu vi minha imagem ligada a um motel”, diz ela em entrevista para o E+.

Ela destaca que, além, das cenas do programa, as empresas passaram também a usar imagens do seu perfil pessoal, fazendo montagens com elas, tudo sem autorização da artesã.

Para Raquel, o valor das indenizações é o menos importante: “minha preocupação maior é tirar essas imagens, principalmente ligadas a empresas em que eu não queria estar”.

Ao entrar em contato com uma marca, ela chegou a ouvir que “várias marcas estão usando a minha imagem sem autorização, isso ocorria há meses e a pessoa disse se sentir no direito de usar também”. Foi após essa interação que ela decidiu entrar com os processos.

“Por que uma pessoa pode pegar minha imagem no Instagram e usar forçosamente na rede social para divulgar? É muito absurdo. Eu estou me sentindo muito mal, tem empresas que tão me mandando mensagens horrorosas, tem pessoas mandando mensagens dizendo coisas absurdas”, relata Raquel, destacando que tem sofrido preconceitos de classe social, de raça, de gênero.

“Há um uso descontrolado de imagens dos outros, sem autorização, em especial de memes. Isso tem que ser regularizado, está uma bagunça”, observa Raquel, “o problema é a falta de diálogo, de respeito, de empatia”.

“Muita gente está me chamando de oportunista, dizendo que quero aparecer. Elas não fazem ideia do que estão falando, eu não preciso de redes sociais para pagar minhas contas, eu tenho meu trabalho. Imagina alguém da sua família passando por essa situação, se coloca no meu lugar”, lamenta ela.

Atualmente, já foram movidos 58 processos, e nas próximas semanas as outras 42 empresas devem ser processadas também. “Não subestimem a capacidade de defesa de uma mulher”, conclui Raquel.

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais

João Pedro Malar*
Estadao Conteudo
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