Atenção com debate de vices aumenta após doença de Trump

De Redação Estadão | 7 de outubro de 2020 | 13:10

O debate entre candidatos a vice-presidente dos Estados Unidos atraiu pouca atenção em eleições passadas, mas o será realizado nesta quarta-feira, 7, entre Kamala Harris e Mike Pence ganhou importância diante da idade de Joe Biden e da doença de Donald Trump. Aos 77 anos, Biden enfrenta acusações dos republicanos de que já não tem a energia que o cargo demanda e, se vencer, será o presidente mais velho a tomar posse. Trump, aos 74 anos, enfrenta a covid-19 e teve situação considerada preocupante no final de semana.

A menos de um mês da eleição, os candidatos a vice-presidente passaram a ser de fato vistos como potenciais presidenciáveis. No final de semana, analistas especularam qual seria a saída para a chapa republicana se Trump não estivesse apto a disputar a eleição no dia da votação, em 3 de novembro.

Primeira mulher negra a concorrer como vice em chapa de grande partido nos EUA, a senadora californiana Kamala Harris foi procuradora e tem a fama de ser uma das interrogadoras mais duras do Congresso. Ela se saiu bem nos debates da pré-campanha democrata, em duelos famosos – entre eles em um no qual venceu Biden no argumento. Pence é conhecido como um bom orador que costuma ficar apagado por Trump, leal ao presidente e uma voz religiosa firme na chapa republicana.

O próprio formato do debate está cercado de controvérsias. Depois da confirmação de que Trump estava infectado com covid-19 e de que um evento na Casa Branca pode ter sido foco de propagação do coronavírus, a Comissão de Debates Presidenciais anunciou que barreiras de vidro separariam Kamala e Pence para evitar risco de contágio. A campanha do republicano, no entanto, disse que se opõe à medida.

Parte da estratégia republicana é minimizar a gravidade do vírus, mesmo depois da infecção de Trump, enquanto os democratas exploram a avaliação negativa do eleitorado sobre a condução da pandemia pela Casa Branca. Kamala deve questionar o republicano sobre o assunto, já que o vice-presidente foi o chefe da Força-Tarefa da Casa Branca para enfrentar o coronavírus e os EUA têm o maior número de infectados e mortos por covid-19 no mundo.

Já Pence deve acusar Kamala de ser parte da “esquerda radical” do Partido Democrata, um rótulo que Trump tenta colar em Biden sem sucesso, pois o ex-vice-presidente se apresenta como um candidato de centro. A campanha republicana está pressionada pelas pesquisas de opinião mais recentes que mostram que Biden ampliou a vantagem sobre Trump, até mesmo em Estados cruciais para os resultados como a Pensilvânia.

Beatriz Bulla, correspondente
Estadao Conteudo
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