Ativista é preso em caso que derrubou candidato francês

De Redação Estadão | 17 de fevereiro de 2020 | 06:42

O artista russo Piotr Pavlenski foi preso preventivamente ontem no âmbito da investigação sobre a publicação de vídeos com conteúdo sexual de Benjamin Griveaux, que era o candidato do partido do presidente da França, Emmanuel Macron, à prefeitura de Paris, mas renunciou após a divulgação dos vídeos.

Dissidente russo que obteve refúgio na França em 2017, Pavlenski foi detido na tarde de sábado para ser interrogado por um caso de “violência com armas” na noite de 31 de dezembro, mas acabou sendo questionado a respeito dos vídeos de Griveaux.

Ele assumiu a responsabilidade pela divulgação das imagens e agora pode ser mantido preso até hoje.

As imagens, que viralizaram nas redes sociais, foram reveladas por um site misterioso, intitulado “Pornô Político” e criado por Pavlenski. Na gravação, há mensagens endereçadas a uma mulher afirmando que elas eram do porta-voz do governo.

Ontem, mais cedo, a companheira de Pavlenski, Alexandra de Taddeo, que seria a destinatária dos vídeos, também foi presa para ser interrogada e esclarecer se cometeu os delitos de ataque à intimidade da vida privada e difusão de imagens de caráter sexual sem consentimento da pessoa, indicaram fontes do Ministério Público de Paris.

Pavlenski é conhecido por suas performances “tão espetaculares quanto masoquistas” contra o governo do presidente Vladimir Putin. Ele já costurou os lábios em apoio à banda Pussy Riot, condenada pelos tribunais russos; já se enrolou nu em arames farpados; pregou seus testículos em frente ao Mausoléu de Lenin na Praça Vermelha, em Moscou e, em 2014, cortou a orelha em um centro psiquiátrico.

Em entrevista ao jornal Libération, Pavlenksi declarou que publicou o vídeo contra Griveaux em seu site por se tratar de uma pessoa “que diz que quer ser prefeito de famílias e sempre cita sua mulher e filhos como exemplo, mas faz exatamente o oposto”.

Griveaux, de 42 anos, ex-porta-voz do governo, era considerado alguém próximo de Macron e um dos seus principais apoios políticos.

A conquista da prefeitura de Paris, atualmente nas mãos dos socialistas, tem sido o maior objetivo do partido governista para as próximas eleições municipais por causa dos embates de Macron com sindicalistas e funcionários públicos, contrários à reforma da previdência.

Nas eleições de 2017, Paris foi responsável por um forte apoio a Macron nas urnas.

Substituição

Com a desistência de Griveaux, a ministra da Saúde da França, Agnès Buzyn, que integra o partido governista, anunciou sua candidatura à prefeitura de Paris. “Apresento-me para ganhar”, declarou Agnès, de 58 anos, ontem. Falta um mês para a eleição municipal.

Com a decisão, ela deixa de forma imediata o posto da Saúde e será substituída pelo deputado e médico Olivier Veran. Agnès comandou a resposta ao coronavírus na França – que registrou até agora 1 morte e 12 contagiados. (com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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