BCE/Panetta: 2021 deve ser 'ano pandêmico', com alta incerteza e vulnerabilidade

De Redação Estadão | 14 de dezembro de 2020 | 07:54

Integrante do conselho do Banco Central Europeu (BCE), Fabio Panetta afirmou nesta segunda-feira (14) que 2021 deve ser um “ano pandêmico”, com “alta incerteza e vulnerabilidade disseminada” para empresas e famílias. As autoridades ainda não conseguem estabelecer um cronograma claro para a vacinação contra a covid-19 e, na zona do euro, a retomada foi “suspendida temporariamente”, diante da nova onda da doença, lembrou ele durante discurso no Fórum Investimentos Roma 2020.

Panetta disse que a zona do euro deve sofrer contração de “mais de 2%” no quarto trimestre, por causa de medidas para mitigar a disseminação do novo coronavírus, com contração de 7,3% em todo o ano atual. Nesse quadro, ele ressaltou o compromisso do BCE em apoiar o quadro, ao reafirmar a meta de inflação em quase 2%. “Não aceitaremos que a inflação se estabilize em níveis inconsistentes com a meta”, afirmou.

O dirigente também enfatizou a importância da política fiscal atuar em conjunto com a monetária, neste momento. Segundo ele, as medidas de apoio fiscal nos próximos meses devem seguir como “ator de destaque” no cenário econômico, em um quadro de grandes incertezas, que leva empresas a adiar decisões importantes.

Panetta recomendou que as políticas de estímulo “não devem ser desperdiçadas”, mas vistas como uma oportunidade para investir, a fim de que a zona do euro supere o quadro atual e garanta uma economia “mais dinâmica”, com trajetória da dívida mais sustentável.

Gabriel Bueno da Costa
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