Bolsa: cautela externa inibe alta após manutenção de veto; fiscal segue no radar

De Redação Estadão | 21 de agosto de 2020 | 10:53

Sinais mistos de atividade na Europa deixam os mercados internacionais na defensiva, apesar de algumas notícias consideradas positivas relacionadas a vacinas para combater a pandemia do novo coronavírus. Neste ambiente desfavorável, o Ibovespa iniciou o pregão desta sexta-feira em baixa, apesar do alívio após a manutenção do veto de aumento salarial no funcionalismo público em 2021, ontem, na Câmara.

A despeito de o índice já ter antecipado em parte a vitória do governo na Casa, depois da derrota no Senado, fechando em leve alta também por conta do exterior, esse desempenho também pode se repetir hoje, ou pelo menos evitar perdas abruptas. Na véspera, fechou com valorização de 0,61%, aos 101.467,87 pontos.

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, a notícia de que as farmacêuticas Pfizer e BioNTech, que estimam para outubro deste ano a aprovação regulatória da vacina contra covid-19 que desenvolvem em parceria, pode ser positiva para os mercados acionários. Além disso, vê como positiva a manutenção do veto de salário no ano que vem para o setor público. “A matéria precisava de maioria simples e a diferença foi muito grande 316 votos a favor e 165 contra; necessários: 257. O recado foi dado. A base quer um diálogo mais construtivo com o governo. A questão é a mobilização que existe, e o diálogo precisa ser construtivo, a fim de evitar sustos como o da quarta-feira, no Senado”, avalia.

De acordo com Arbetman, a sinalização é de que a agenda de reformas continua no radar e, agora, fica a expectativa de que as próximas votações de medidas da seara fiscal não envolvam o “susto” que teve no Senado. Ele diz esperar um dia mais neutro na B3.

De todo modo, o analista explica que a manutenção do veto não elimina a preocupação dos investidores com as finanças públicas. “Existem muitas dúvidas acerca de todo esse ambiente. O ponto é que há pelo menos dois dias temos notícias neste segmento que estão incomodando. Tivemos a de que o presidente Bolsonaro Jair Bolsonaro pretende estender a duração do auxílio emergencial, depois, o Senado cancelando o veto. E isso não termina ai”, afirma.

A questão fiscal, completa o analista da Ativa, segue no jogo, e ainda com pressão grande. Segundo ele, o Congresso gosta de dizer que é reformista, mas, na verdade, já se mostrou diferente em relação a alguns temas. Nisso, diz, “reforço a posição do Arthur Lira líder do PP na Câmara, se mostrando como um sucessor natural do presidente da Câmara, Rodrigo Maia e indo ao mercado financeiro mostrar que a continuidade desse tom reformista passa muito pelo espectro de liderança, que seria feito por ele”, avalia.

No exterior, sinais mistos de dados na Europa sugerem, segundo o analista, que os resultados funcionam como um selo e mostram que de fato não se vê nenhuma tração, nenhuma comprovação que o continente europeu está avançando tanto na atividade como na inflação. Fica ainda no radar, diz, as negociações a respeito de um novo pacote fiscal nos EUA.

Diante de preocupações relacionadas à demanda, as commodities caem no exterior. O minério de ferro negociado no porto chinês de Qingdao, caiu 1,50%, fechando a US$ 127,38 a tonelada. O petróleo em Nova York e em Londres recua perto de 2,00%, enquanto o cobre, também, após dados de atividade da zona do euro sugerirem quadro mais fraco do esperado para o setor manufatureiro do bloco. Os papéis da Petrobras e da Vale tinham perdas na faixa de 1%.

No corporativo, a Usiminas disse que retomará atividades do alto-forno 1 em Ipatinga (MG) na semana que vem, enquanto a Kroton, principal empresa da Cogna Educação, teve prejuízo de R$ 451,971 milhões no segundo trimestre de 2020, revertendo o lucro de R$ 139,838 milhões do mesmo período de 2019. As ações cediam 4,26%, às 10h39, enquanto Usiminas caía 0,62%. O dólar à vista subia 0,54%, a R$ 5,5815. O Ibovespa cedia 0,57%, aos 100.984,77 pontos, após mínima aos 100.487,87 pontos, e máxima aos 101.460,54 pontos.

Maria Regina Silva
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