Bolsa fecha em leve baixa de 0,18%, com foco na situação fiscal

De Redação Estadão | 25 de agosto de 2020 | 18:08

O Ibovespa interrompeu nesta terça-feira, 25, três sessões em que conseguiu se manter moderadamente em alta, ao fechar nesta terça-feira com leve perda de 0,18%, aos 102.117,64 pontos, tendo, assim como no dia anterior, permanecido em faixa de variação estreita, entre mínima de 101.623,31 e máxima de 102.708,36 pontos, com abertura a 102.292,87. O giro financeiro totalizou R$ 23,4 bilhões, assim como o anterior entre os mais fracos do mês, e agora o Ibovespa acumula perda de 0,77% em agosto e de 11,70% em 2020 – na semana, avança 0,59%.

Em Nova York esta terça-feira foi mista e de variações também contidas, com o Dow Jones em baixa de 0,21% no fechamento, refletindo a proximidade da retirada da Exxon Mobil do índice, a partir de segunda-feira, enquanto S&P 500 apontava alta de 0,36% e o Nasdaq, de 0,76%, ambos em novas máximas históricas de encerramento, em dia de fraca leitura sobre a confiança do consumidor americano, do Conference Board.

Aqui, o mercado tomou nota do adiamento do anúncio do programa Renda Brasil, o que foi visto de forma até positiva, na medida em que parece indicar que a equipe econômica permanece comprometida em entregar um valor mensal minimamente sustentável para as contas públicas. “Está todo mundo de olho no Renda Brasil e, a depender do valor que terá, o efeito sobre as contas públicas, sobre o Orçamento de 2021. O Guedes está nesta situação complicada, de prover recursos a partir de remanejamentos, porque não há espaço para mais impostos, o Congresso não aceitaria, nem a sociedade”, diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença. “A rota de Guedes e Bolsonaro tem sentidos opostos, um pensando no fiscal e o outro nos votos que conseguirá, especialmente no Norte e Nordeste, com um auxílio superior ao Bolsa Família”, acrescenta.

Neste contexto de incerteza, o Ibovespa tem se mantido ao longo da maior parte do mês em faixa curta, sem fôlego para se desvencilhar da estreita margem de 101 a 102 mil pontos que tem prevalecido nos fechamentos desde o último dia 11, quando o impasse nas negociações sobre novos estímulos nos EUA e as preocupações em torno da situação fiscal no Brasil se impuseram como fatores de cautela, interrompendo a progressão do índice.

“Os últimos dois dias foram até favoráveis no exterior, mas a expectativa pelo pacote do Guedes está contribuindo para segurar o Ibovespa, com os receios sobre a situação fiscal. Hoje, tivemos padrão semelhante ao de ontem: no começo da sessão, o Ibovespa buscou testar a região de 102,5 mil pontos, ontem nos primeiros 15 minutos, hoje na meia hora inicial”, observa Rodrigo Barreto, analista gráfico da Necton. “Se passar para cima, tenderia a abrir caminho para que o Ibovespa busque os 103 mil pontos e, depois, resistência aos 104,4 mil pontos”, acrescenta o analista. No lado oposto, ele observa suporte a 100,3 mil que, uma vez perdido, levaria o índice de volta à faixa de 99 mil pontos.

O fraco desempenho das ações de bancos em 2020 continua a limitar ganhos adicionais do índice, apontam analistas: no ano, as perdas acumuladas nas ações das grandes instituições do setor, o de maior peso no índice, estão agora entre 32,41% (Itaú) e 38,16% (Santander).
Nesta terça-feira, Itaú Unibanco PN fechou em baixa de 0,74% e a Unit do Santander, de 0,72%. Na ponta negativa do Ibovespa, destaque para Braskem (-3,51%), seguida por Cielo (-3,38%) e JBS (-3,02%). No lado oposto, Lojas Renner subiu 4,29%, Rumo, 3,48%, e Hering, 3,17%. Entre as commodities, destaque para queda de 2,13% em Vale ON, em dia no qual o preço do minério em Qingdao (China) caiu 1,79%, em meio à recuperação gradual da oferta. Petrobras teve quedas menores na sessão, de 0,44% na PN e de 0,47% na ON.

Luís Eduardo Leal
Estadao Conteudo
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