Bolsa vira no fim e fecha dia em alta de 0,17%; ganho é de 7,42% na semana

De Redação Estadão | 6 de novembro de 2020 | 18:51

Os mercados globais chegaram ao fim da semana ensaiando uma pausa na sequência positiva que começou a emergir aos primeiros sinais de que Joe Biden superaria Donald Trump na disputa pela Casa Branca, e, ainda melhor, sem constituir maioria no Congresso que abrisse caminho para uma agenda democrata puro-sangue, com mais impostos e regulação. Assim, surfando a onda de bem-estar no exterior, o Ibovespa acumulou ganho de 7,42% nestas últimas quatro sessões, o melhor desempenho semanal para o índice da B3 desde o intervalo entre 1º e 5 de junho, quando havia avançado 8,28%. Com o salto neste começo de mês, o Ibovespa recuperou-se da perda de 7,22% acumulada na semana anterior.

Pela segunda sessão, o índice conseguiu sustentar os seis dígitos no encerramento, ao fechar nesta sexta-feira em alta de 0,17%, a 100.925,11 pontos, não muito distante da máxima do dia, de 101.104,29 (+0,35%), renovada na reta final, saindo de mínima a 99.837,04, com abertura a 100.750,59 pontos.

O giro financeiro desta sexta ficou em R$ 27,1 bilhões e, com o desempenho desta primeira semana de novembro, o Ibovespa limita as perdas do ano a 12,73%. No fechamento, o índice da B3 manteve o melhor nível desde o encerramento de 26 de outubro. Com a virada de sinal no fim da sessão desta sexta, o Ibovespa emendou o quarto ganho diário, ainda sem revés neste início de novembro.

Os esforços do presidente Trump de colocar em questão as urnas têm resultado em incômodo entre líderes republicanos, o que minimiza a chance de reviravolta. Nesta sexta-feira, Biden passou à frente na apuração na Pensilvânia (20 delegados) e na Geórgia (16 delegados), mantendo também vantagem em Nevada (6 delegados), o que torna a tarefa de Trump de virar o jogo no voto uma missão praticamente impossível. O último caminho alternativo, de judicializar a disputa a ponto de levar a definição para a Suprema Corte, ficou ainda mais longo e improvável nas últimas horas.

“Os maiores vencedores da eleição americana são as grandes democracias do mundo, como União Europeia e Japão, e o enfraquecimento do dólar contribui positivamente para emergentes, como o Brasil. A perspectiva é de mais crescimento global, especialmente do comércio, em um ambiente de dólar mais fraco – nos últimos dois dias, o real foi a melhor moeda entre os emergentes”, aponta Roberto Attuch, CEO da Omninvest. “Se for pragmático, ajustando sem demora sua política externa e ambiental, o Brasil tem como se beneficiar muito, especialmente se não houver barbeiragem no teto de gastos – é preciso, logo após a eleição municipal, sentar e definir o Renda Cidadã dentro do limite.”

“Nossa análise é de que este cenário que está se consolidando possivelmente é o melhor para emergentes, incluindo o Brasil. Mais do que a eleição de Biden em si, é o equilíbrio de poder (com o Congresso ainda dividido entre democratas e republicanos), que tende a favorecer a parte boa do futuro presidente – visão multilateral do comércio, atitude global mais previsível e construtiva -, restringindo o lado negativo – busca por mais regulação e impostos”, diz Guto Leite, gestor de renda variável da Western Asset.

A moderação no volume do pacote de estímulos fiscais originalmente pretendido pelos democratas, por um lado, impõe limite à intensidade da reação que de outra forma a economia teria no curto prazo, mas, por outro, impede deterioração fiscal adicional. “A gente pode ter um cenário de crescimento bom, mas não tão bom; dólar mais fraco, o que ajuda os emergentes, e sem inflação (externa), o que assegura espaço para política monetária afrouxada por mais tempo, fornecendo liquidez global. Juros baixos por período longo são algo muito bom também para os emergentes”, acrescenta o gestor.

Ele observa, contudo, que o “presente” que chega de fora, com “águas mais calmas” desde o exterior, precisa ser aproveitado especialmente em Brasília, passada a eleição municipal. “É preciso retomar a discussão sobre o fiscal, ter mais clareza sobre isso”, concorda Mauro Orefice, diretor de investimentos da BS2 Asset. “O cenário de forma geral tende a ser favorável aos emergentes, com dólar mais fraco e, se fizermos também a nossa parte, devolução de prêmios de risco na curva de juros. Precisamos aproveitar a oportunidade”, acrescenta.

Para Orefice, mesmo sem maioria no Congresso dos EUA, os democratas conseguirão aprovar novo pacote fiscal. “Todos entendem que será preciso e, ontem, o Powell (presidente do Federal Reserve) foi muito claro, mais uma vez, sobre a necessidade de apoio pelo lado fiscal”, acrescenta. “Na Bolsa, os múltiplos daqui estão mais favoráveis se comparados a alguns meses atrás, com resultados do terceiro trimestre que ajudam, amparando a visão de recuperação, que dependerá também da forma como Brasília lidará com o lado fiscal.”

Nesta sexta-feira, as ações de commodities tiveram desempenho misto, com Vale ON em alta de 1,02% e as da Petrobras em baixa (PN -0,70% e ON -0,35%), mas todas acumulando ganhos acima de 4% na semana, que também foi positiva para outro setor de peso, bancos, onde o avanço no período chegou a 8,90%, para Itaú PN. Na ponta do Ibovespa nesta sexta-feira, Hypera subiu 6,02%, à frente de Braskem (+5,40%) e Iguatemi (+5,10%). No lado oposto, Rumo cedeu 3,27%, Suzano, 2,73%, e Fleury, 2,17%.

Luís Eduardo Leal
Estadao Conteudo
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