Bolsas da Europa fecham em alta após PIB da zona do euro, apesar de covid-19

De Redação Estadão | 13 de novembro de 2020 | 14:22

As bolsas da Europa fecharam majoritariamente em alta nesta sexta, 13, encerrando em tom positivo uma semana marcada por fortes ganhos, em meio ao otimismo pelo desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o coronavírus. A leitura positiva do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro no terceiro trimestre alimentou o apetite por risco, mas avanço acelerado da covid-19 pelo continente segue como foco de preocupação.

O índice Stoxx 600, que reúne as principais ações da região, encerrou em alta de 0,01%, a 385,18 pontos, com avanço semanal de 5,13%.

A bolsa de Londres contrariou o movimento ascendente das praças europeias e cedeu 0,36% na sessão de hoje, a 6.316,39 pontos, mas saltou 6,88% na semana. As perdas foram puxadas pelo setor de exportação, pressionado pelo fortalecimento da libra, em meio às especulações de renúncia de Dominic Cummings, um dos representantes da linha-dura no gabinete do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, no que diz respeito ao Brexit – a saída do Reino Unido da União Europeia.

Para o ING, a saída de Cummings é um bom sinal para o futuro das relações bilaterais entre o país insular e o bloco europeu. “Na margem, isso deve balançar o pêndulo das probabilidades em direção a um acordo comercial”, explica o banco.

Na bolsa de Paris, o CAC 40 avançou 0,33% nesta sexta-feira e 8,45% em relação à última, a 5.380,16 pontos. Em Frankfurt, o DAX ganhou 0,18%, 13.076,72 pontos, uma alta semanal de 4,78%. Investidores reagiram bem à informação de que o PIB da zona do euro cresceu 12,6% no terceiro trimestre de 2020 ante o segundo, de acordo com a Eurostat, a agência de estatísticas da UE. Já as exportações no bloco subiram 4,1% em setembro ante agosto, enquanto as importações cresceram 2,7% no período.

Os indicadores, contudo, representam uma fotografia do passado, em um momento em que analistas projetam que a atividade econômica europeia voltará ao território negativo nos próximos meses, por conta da segunda onda de casos de coronavírus. O Ministério da Economia da Alemanha reconheceu que as medidas de restrições à circulação de pessoas impactaram negativamente a economia do país em novembro.

Na segunda-feira, a chanceler Angela Merkel se reúne com líderes estaduais para discutir se o lockdown tem sido suficiente. Na Inglaterra, o jornal The Guardian revelou que um comitê científico do governo defendeu ações ainda mais restritivas para conter a disseminação do vírus.

Diante desse cenário, as esperanças para a solução da pandemia seguem depositadas no desenvolvimento de uma vacina eficaz, depois que a Pfizer e a BionTech informaram que o imunizador experimental no qual trabalham teve mais de 90% de eficácia, de acordo com resultados preliminares da terceira fase dos ensaios clínicos. A expectativa é de que a Moderna também divulgue conclusões semelhantes ainda este mês.

A possibilidade de uma vacinação em massa impulsionou o FTSE MIB, de Milão, que avançou 0,41% hoje e 6,21% na semana, a 20.903,58 pontos. Em Madri, o Ibex 35 fechou em alta de 0,75%, a 7.783,70 pontos, com ganho nas últimas cinco sessões de 13,29%. O PSI 20, de Lisboa, por sua vez, caiu 0,06% hoje, a 4.367,43, mas subiu 8,0% na semana.

André Marinho
Estadao Conteudo
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