Bolsas da Europa 'travam', apesar de notícias positivas para conter coronavírus

De Redação Estadão | 18 de novembro de 2020 | 07:26

A maioria das bolsas europeias segue sem tendência na manhã desta quarta-feira, 18, levando o índice intercontinental Stoxx-600 a operar em torno da estabilidade, com um recuo de 0,02%, a 388,73 pontos. Os investidores parecem estar travados, apesar das boas notícias reveladas nos últimos dias sobre desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus. Prevalece nos cenários a avaliação de que muito antes de o imunizador poder ser aplicado em massa pelo mundo a economia da região voltará a sentir outro grande golpe gerado pela pandemia.

Hoje, a França informou, por exemplo, que o número de casos de pessoas contaminadas no país ultrapassou a marca de 2 milhões desde o início do surto. Vários países da Europa adotaram medidas mais restritivas de circulação da população e os efeitos de estancamento da segunda onda doença são esperados para breve, mas junto devem vir os reflexos negativos sobre a atividade. A European Automobile Manufacturers Association relatou nesta manhã uma queda de 7,8% nas vendas de carros em outubro, após um pequeno ganho em setembro.

Nos EUA, vários Estados também passaram a determinar ações para reduzir a mobilidade dos americanos e os futuros de Nova York também apresentam queda agora cedo. Na terça-feira se soube que as vendas no varejo do país subiram menos do que o previsto pelo mercado. A média de sete dias de novas infecções diárias por covid-19 nos EUA ultrapassou 150 mil pela primeira vez nesta semana, de acordo com uma análise da CNBC a partir dos dados da Universidade de Johns Hopkins.

Ontem, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse que as notícias otimistas sobre as vacinas não mudariam fundamentalmente os planos dos bancos centrais de adicionar estímulos. Já o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, afirmou que a autoridade monetária usará “todos os instrumentos necessários” para apoiar a recuperação da crise da covid-19. Hoje, é o presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Andrew Bailey, que participa de um evento público (13h30 de Brasília).

Lá no Reino Unido, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,7% em outubro ante o mesmo mês do ano passado, acelerando o ritmo em relação ao dado de setembro (0,5%). O resultado ficou acima das expectativas dos analistas, de nova alta de 0,5%, e ajudou a impulsionar a libra esterlina.

No setor corporativo, os impactos da pandemia seguem afetando os negócios. As ações da Air France-KLM caíam 3,48% mais cedo depois que o jornal francês Le Monde noticiou que a companhia aérea está em negociações para levantar mais 6 bilhões de euros com o governo e investidores.

Os papéis da Moeller-Maersk também cediam (-1,17%) após a maior empresa de transporte de contêineres do mundo anunciar um programa de recompra de ações de 10 bilhões de coroas dinamarquesas. O lucro da gigante dinamarquesa no terceiro trimestre do ano veio em linha com as projeções do mercado financeiro, mostrando uma recuperação da demanda pelos serviços mais forte do que as estimativas.

Já a britânica do setor químico Croda International tinha alta de 2,37% após anunciar que comprará a Fragrance Spanish Topco, da área de produtos para cuidados pessoais, por 820 milhões de euros.

Às 6h32 de Brasília, a Bolsa de Londres caía 0,34%, a de Frankfurt tinha alta de 0,04%, a de Paris operava estável, a de Milão subia 0,74%, a de Madri cedia 0,28% e a de Lisboa recuava 0,04%. No mercado cambial, o euro era cotado a US$ 1,1882, de US$ 1,1866 do fim da tarde de ontem, e a libra era comercializada a US$ ante 1,3287, de US$ 1,3250 da véspera.

Célia Froufe
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