Bolsas de NY fecham em queda com impasse fiscal e ação antitruste contra Facebook

De Redação Estadão | 9 de dezembro de 2020 | 18:19

As bolsas de Nova York fecharam em queda nesta quarta-feira, 9, em meio à deterioração das negociações por uma nova rodada de estímulos fiscais nos Estados Unidos. As perdas foram lideradas pelas grandes empresas do setor de tecnologia, depois que um grupo de 48 procuradores-gerais protocolaram ação judicial antitruste contra o Facebook.

O índice Dow Jones fechou em baixa de 0,35%, a 30.068,81 pontos. O S&P 500 cedeu 0,79%, a 3.672,82 pontos. O Nasdaq recuou 1,94%, a 12.338,95 pontos, também em processo de realização de lucros após recordes históricos recentes.

Os papeis de Apple (-2,17%), Amazon (-2,30%) e Microsoft (-1,95%) foram alguns dos destaques negativos.

A ação do Facebook caiu 1,93%, após o início do processo das autoridades americanas, que também conta com participação da Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês), órgão regulador da competição nos EUA. Segundo a peça judicial, a gigante do Vale do Silício agiu de “maneira predatória” ao comprar concorrentes menores, entre eles Facebook e WhatsApp.

O imbróglio jurídico da companhia fundada por Mark Zuckerberg ajudou a compor o cenário de aversão ao risco em Wall Street, que já vinha diante das discussões por um novo pacote fiscal. O líder republicano Senado, Mitch McConnell, criticou a postura dos democratas, um dia após a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, o acusar de atrapalhar o processo.

McConnell sugeriu que cada um dos lados desista de seus principais prioridades, como forma de concessão. Para a oposição, isso seria apoio financeiro a Estados e municípios e, para o governo, proteção jurídica a empresas com funcionários que contraiam covid-19. No entendimento do BBH, o líder adota postura errada ao tratar esses dois pontos como equivalentes. “Ajuda a Estados e municípios teriam impacto muito maior no cenário econômico”, argumenta.

Entre setores, farmacêuticas tiveram um pregão negativo, com Pfizer em baixa de 1,60%, depois que a companhia afirmou que documentos sobre o desenvolvimento de sua vacina para a covid-19 foram alvos de ataque cibernético. O papel da Moderna, por sua vez, despencou 7,81%.

Em relatório, o JPMorgan projeta que o S&P 500 chegará a 4,4 mil pontos em 2021. “Após um período prolongado de riscos elevados (guerra comercial global, pandemia de covid-19, incerteza eleitoral nos Estados Unidos etc.), as perspectivas estão se clareando com o ciclo de negócios em expansão e os riscos diminuindo”, avalia.

André Marinho
Estadao Conteudo
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