Campos Neto: estender mais auxílios agora pode significar menos efeitos positivos

De Redação Estadão | 16 de novembro de 2020 | 16:35

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, repetiu nesta segunda-feira, 16, que o lançamento de um programa fiscal com aumento de gastos públicos pode ter um efeito contracionista na economia, ao invés de favorecer o crescimento.

“Passamos de um ponto de inflexão. Estender mais os auxílios agora pode significar menos (efeitos positivos). Foi o teto de gastos que nos permitiu gastar mais na pandemia. Assim que se começou a questionar o teto, o mercado reagiu imediatamente nos preços dos ativos”, afirmou, na 3ª Conferência Anual da América Latina, organizada pela Chatham House e pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

Mais uma vez, Campos Neto lembrou que a recomposição da renda das famílias por meio dos auxílios do governo gerou uma poupança que deve começar a ser usada a partir do momento que esses auxílios forem retiradas em 2021. “Não acho que temos uma opção. O déficit fiscal tem que ser revertido a partir do próximo ano”, enfatizou. “Para atrair investimento privado, é preciso termos essa credibilidade. Só assim poderemos ter crescimento sustentável no longo prazo”, concluiu.

Eduardo Rodrigues e Fabrício de Castro
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