'Carruagem' do jornalismo perde Luiz Makhlouf Carvalho

De Redação Estadão | 17 de maio de 2020 | 10:30

Ao longo dos últimos quatro anos, Luiz Maklouf Carvalho me enviou regularmente e-mails intitulados “Carruagem”. As mensagens semanais quase sempre davam conta do andamento de suas incansáveis e rigorosas apurações, com uma ou outra observação sobre política, jornalismo, filmes, livros e dicas de shows de jazz disponíveis na internet. Os mais comemorados por mim terminavam anunciando visita ao Estadão: “Salve! Vou dar um pulo aí”. Nessas ocasiões, raramente cantava glórias jornalísticas de décadas passadas, o que interessa ao “Velho Mak”, era o futuro, as histórias a serem contadas.

Em meados de 2018, a “Carruagem” tirou meu chão quando o Mak me contou da doença. Pelo telefone, porém, ele me convenceu de que ia enfrentar e vencer mais uma e que, com autorização dos médicos, continuaria trabalhando. E como! A “Carruagem” não ia parar por causa de uns inoportunos “invasores”, como ele se referia aos tumores no pulmão.

Em 2019, a “Carruagem” me deu a ótima notícia do livro O Cadete e o Capitão (Editora Todavia). Dois assuntos faziam os olhos dele brilhar de emoção e entusiasmo: falar dos filhos e dos netos e de seus muitos livros publicados. Uma prole extensa. Em paralelo ao lançamento do livro, Mak mergulhou numa série de perfis sobre novos personagens da política. Com ela, ganhou o prêmio Estado de jornalismo de 2019.

Na virada de 2019 para 2020, me escreveu avisando que passaria no Estadão para buscar seu diploma e o voucher da premiação. Ao final da visita, quando o cansaço já era evidente, despediu-se de maneira afetuosa. “Vou te mandar os meus livros que você ainda não leu”. A “Carruagem”, porém, chegou antes dos exemplares: “Beto, caro, saudações. Estou internado desde segunda, no andamento da segunda químio. Mas tô tocando. E vamo que vamo!”

Para onde, Velho Mak? Não importa muito saber, ele responderia, tenho certeza. A Carruagem tem de continuar mirando o futuro, porque há sempre uma boa história para ser contada, porque o jornalismo não pode se abater nem se curvar diante de qualquer tipo de “invasores” e de adversidades. A carruagem do jornalismo perdeu um de seus grandes. A carruagem não vai parar, Mak. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Alberto Bombig
Estadao Conteudo
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