Circo Zanni faz campanha para conseguir manter a sede recém-inaugurada

De Redação Estadão | 15 de maio de 2020 | 11:26

Poucos meses depois de inaugurar uma sede fixa, o circo Zanni conta com a ajuda da população para manter a lona em pé. Surpreendidos pela pandemia de covid-19 e com o caixa esvaziado depois de investimentos feitos na montagem da estrutura, o planejamento financeiro da equipe foi por água abaixo. Agora, os artistas tentam fazer com que o projeto não seja nocauteado pelo novo coronavírus.

O objetivo da campanha é arrecadar pouco mais de R$ 60 mil para que as despesas de quatro meses sejam honradas. Até a tarde desta quinta-feira, 14, 78,4% da meta tinha sido alcançada. Os gastos fixos incluem o aluguel do terreno onde a lona está montada, o pagamento das pessoas envolvidas no projeto, a campanha de comunicação e a fabricação e o envio das recompensas.

O circo foi criado em 2004 por nove artistas. Dentre eles, Domingos Montagner, ator que faleceu durante as gravações da novela Velho Chico, da Rede Globo, em 2016. Os espetáculos da trupe eram itinerantes e a lona costumava ser vista em locais centrais da capital paulista, como o Parque Augusta e o Memorial da América Latina. “Nós sempre buscamos levar o circo para o coração da cidade”, conta Márcia Nunes, produtora do Zanni.

A ideia de se fixar em um endereço e transformá-lo em um local apresentações, oficinas e encontros já pipocava há certo tempo na cabeça da equipe. No final de novembro do ano passado, depois de dois meses de obras, eles conseguiram. O terreno escolhido fica no quilômetro 26 da rodovia Raposo Tavares (sentido São Paulo), na cidade de Cotia. “É um ponto que fica próximo de várias cidades do Estado”, destaca.

A sede foi palco de quatro apresentações ainda em 2019 e logo veio a pausa de fim de ano. O site do circo ainda guarda resquícios do planejamento feito pela equipe, divulgando a retomada das atividades para março deste ano. “A nossa temporada deveria ter começado no dia 27 de março. A gente faria pelo menos uma apresentação por mês”, detalha a produtora.

Com o distanciamento social imposto e a impossibilidade de reunir a plateia, o circo ficou sem fonte de renda. Márcia conta que, antes de iniciar a campanha colaborativa, a equipe refletiu se esse era o momento adequado para isso. “Se a gente for olhar, há muitas questões urgentes agora”, pontua. Mas, sem a ajuda dos espectadores, o local pode acabar fechando as portas. “Fizemos um investimento grande. Contamos com a ajuda de quem não teve os rendimentos afetados de forma significativa”, diz.

As obras da sede duraram cerca de dois meses e envolveram a terraplenagem do terreno, a construção do círculo de concreto para sobrepor a lona, a instalação elétrica, banheiros, o bar e camarins. Em janeiro e fevereiro, o grande volume de chuvas deixou visível outros problemas que precisaram de mais investimento para serem consertados. “Corremos o risco de acabar com tudo isso”, lamenta Márcia.

Apoio

Para colaborar com o financiamento coletivo, os espectadores podem comprar ingressos antecipados por preços simbólicos ou souvenirs da companhia. As entradas estão à venda no site Sympla até esta sexta-feira, 15, e custam de R$ 30,00 (ingresso individual) a R$ 200,00 (ingresso para dez pessoas). As recordações variam entre R$ 60,00 (caderninho) e R$ 300,00 (kit com camiseta, squeeze e caderninho).

Márcia Nunes explica que há diferentes valores para que todo mundo possa ajudar. “Qualquer contribuição é de grande ajuda”, afirma. As recompensas oferecidas a quem colabora com a campanha variam desde um cartão postal virtual até uma vivência de quatro horas nas dependências da sede. Há também opções para empresas. Outros valores, sem contrapartida, podem ser doados via transferência bancária. Mais informações no site do circo Zanni.

Mariana Hallal
Estadao Conteudo
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