Com maioria no Senado, Biden ignora republicanos e mantém proposta de benefício

De Redação Estadão | 5 de fevereiro de 2021 | 15:44

No mesmo dia em que o Senado americano aprovou o instrumento da reconciliação, que permite aprovação de pautas por maioria simples, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, decidiu ignorar os clamores da oposição e manteve, em seu pacote fiscal, a proposta de oferecer mais US$ 1.400 a pessoas em situação de vulnerabilidade, como forma de atenuar os impactos econômicos da crise da covid-19.

O texto, que também traz recursos para compra de vacinas contra a covid-19, ainda precisa ser aprovado pelo Congresso. Caso os US$ 1.400 ganhem aval do Parlamento, cidadãos elegíveis poderão receber até US$ 2.000, considerando o benefício de US$ 600 aprovado durante a gestão Donald Trump.

“Vou agir rápido contra a crise e gostaria do apoio dos republicanos para isso, mas eles não estão dispostos a ir tão longe quanto eu”, declarou Biden na tarde desta sexta-feira, em coletiva de imprensa.

Em seguida, o líder da Casa Branca disse que prefere usar o instrumento da reconciliação a ver “americanos sofrendo”.

O instrumento da reconciliação permite a aprovação de pautas no Senado por maioria simples, ou 51 votos – exatamente a quantidade de votos que o governo tem na Casa, desde que nenhum aliado se posicione de forma contrária. Até então, eram necessários 60 votos, ou seja, contar ainda com o apoio de alguns republicanos. Até então, Biden mantinha alguma cautela em adotar a estratégia, para evitar “torrar” capital político ainda no início do mandato.

Durante a coletiva desta sexta, Biden reiterou a defesa de seu pacote fiscal, apresentado antes mesmo da posse. “É importante também para o longo prazo. Precisamos focar mais em investimentos e menos no déficit público”, declarou o presidente.

Os republicanos vinham batalhando por ajuda fiscal na ordem de US$ 600 bilhões, de olho no crescimento da dívida pública que, como mostrou reportagem especial do Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), já bateu 130% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e está em trajetória ascendente. “Com investimentos em ambiente de juro baixo, teremos crescimento e país sólido”, acrescentou o democrata. Em tom de mea culpa, ele ainda citou a resposta fiscal à crise de 2008 – quando era vice do ex-presidente Barack Obama: “desta vez, não podemos dar resposta insuficiente”.

Eduardo Gayer e Ilana Cardial (especial para a AE)
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