Com Monteiro em quadra e nova rotina, circuito volta com Masters 1000 nos EUA

De Redação Estadão | 20 de agosto de 2020 | 10:00

Após cinco meses de paralisação, o circuito masculino de tênis retornará nesta quinta-feira com a disputa do qualifying do primeiro Masters 1000 da temporada, nos Estados Unidos. Inicialmente marcada para Cincinnati, a competição foi transferida para Nova York, onde as principais entidades do tênis mundial criaram uma “bolha” para receber também o US Open, a partir do dia 31.

O retorno do circuito terá Thiago Monteiro em quadra. O tenista número 1 do Brasil tentará a vaga na chave principal. Marcelo Melo vai entrar direto na chave de duplas, enquanto Thiago Wild torce por desistências para ter chances de competir no mesmo complexo que receberá o US Open.

A disputa do quali nesta quinta vai encerrar um período incomum na história do tênis, com cinco meses de paralisação envolta em incógnitas no calendário, com torneios suspensos e cancelados em razão da pandemia do novo coronavírus. “Reencontrei meu treinador depois de cinco meses. Fiquei feliz só por isso”, disse o aliviado Monteiro, ao Estadão.

Na volta das competições, ele e os demais brasileiros se depararam com uma nova rotina. A começar pela viagem até os EUA, país que impôs uma série de restrições à entrada de estrangeiros, principalmente de brasileiros, devido ao grande número de casos de covid-19 no País.

Para passar pela imigração sem problemas, os atletas nacionais precisaram de uma ajuda da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) e da Associação de Tênis dos EUA (USTA, na sigla em inglês). “Levei as cartas que a USTA e a ATP providenciaram para dar o suporte que a gente precisava para poder viajar”, conta Monteiro.

Na chegada, mediram a temperatura ainda no aeroporto. “Chegando ao hotel, a primeira coisa que fizemos foi o teste. Depois ficamos 24 horas dentro do quarto, na quarentena, até sair o resultado, que foi negativo. Só no dia seguinte pudemos pegar a credencial para entrar no clube e treinar.”

As restrições não param por aí. Os atletas só podem circular nas áreas de treino e no hotel reservado aos tenistas. O número 82 do mundo conta que até o sistema de alimentação foi afetado. O buffet deu lugar a um sistema de delivery em que o atleta retira sua comida por meio de um sistema de QR Code, com leitura pelo celular. “Temos pouco contato com todo mundo.”

A ampliação dos espaços permitiu manter o distanciamento social entre atletas e equipes. “Aumentaram bastante o tamanho do complexo, então tem mais espaço para todo mundo. No vestiário, a entrada é limitada. Os jogadores mais top têm vestiários privados no estádio, com suítes.”

Nem mesmo a revelação de um caso positivo dentro da “bolha” do tênis em Nova York preocupou Monteiro. “Cada credencial tem um GPS. Então, eles conseguem mapear quem esteve mais próximo da pessoa contaminada e fazem mais uma testagem neles”, diz o brasileiro. “Acho que estão com um protocolo bem rígido e rigoroso, bem seguro, do meu ponto de vista. Tenho me sentido seguro aqui.”

Segundo Monteiro, o distanciamento e o uso das máscaras têm sido respeitados por todos. “Todo mundo está bem consciente, usando máscara o tempo todo. Só tiramos quando entramos na quadra. Mesmo na sala de musculação, os treinadores sempre usam máscara.”

O caso positivo de covid-19, entre 1.400 testes realizados desde o dia 13, foi confirmado pela USTA na terça-feira. A entidade não revelou o nome da pessoa, que ficará em quarentena por dez dias, mas informou não se tratar de jogador. “Sabemos que foi alguém de uma equipe técnica. Não divulgaram a identidade, mas não sei por quê”, diz Monteiro.

BAIXAS DE PESO – O circuito masculino volta com dois desfalques importantes: o espanhol Rafael Nadal e o suíço Roger Federer. O número dois do mundo desistiu do Masters 1000 e do US Open por precaução enquanto Federer se recupera de problemas físicos e já avisou que só volta em 2021.

Assim, o sérvio Novak Djokovic desponta como o grande favorito aos dois títulos disputados em Nova York nas próximas semanas. O principal rival do líder do ranking deve ser o austríaco Dominic Thiem, 3º do mundo, que exibiu boa forma física e técnica em diversas exibições ao longo da pandemia.

O primeiro Masters 1000 da temporada também vai reunir as mulheres. O circuito feminino, contudo, voltou mais cedo, no dia 3, em Palermo, na Itália. Na semana passada, em Lexington, nos EUA, algumas das principais tenistas do mundo fizeram seu retorno, como as irmãs Serena e Venus Williams. Nas duplas, a campeã foi a brasileira Luisa Stefani, que estará em quadra em Nova York nos próximos dias.

Felipe Rosa Mendes
Estadao Conteudo
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