Com tio e sobrinho juntos, Sesi-SP aposta na nova geração para temporada do vôlei

De Redação Estadão | 7 de julho de 2020 | 07:09

Com um projeto de mais de 10 anos, o Sesi-SP terá uma temporada diferente quando a pandemia do novo coronavírus permitir a volta das competições de vôlei, que estão paralisadas desde março. Agora sem a presença de jogadores experientes como William, Éder, Lucas Loh, Alan e Sidão, além do técnico Rubinho, o time da capital paulista resolveu apostar na nova geração, mas não sem ter o apoio de alguns veteranos. E isso leva a uma situação curiosa: o campeão olímpico Murilo Endres, atual líbero e ex-ponteiro, vai ter a oportunidade de jogar com seu sobrinho Eric, de 20 anos.

Murilo, que aceitou uma redução salarial para permanecer na equipe, será a principal referência dentro da quadra. E está adorando poder atuar ao lado do sobrinho, que é filho de Gustavo Endres, outro campeão olímpico, e joga como ponteiro, a posição que o tio se destacou e foi considerado o melhor jogador do mundo em 2010.

“É muito bom ter a presença dele. O Eric ainda está no time sub-21, mas participou muito dos treinamentos da equipe principal no ano passado. Estamos sempre conversando, quando está com a gente, sempre dando alguns conselhos”, afirmou Murilo em entrevista ao Estadão. “Na última temporada ele não conseguiu entrar em um jogo, mas nessa isso vai acontecer e será muito especial”.

O agora líbero do Sesi-SP diz que a sua relação com Eric pode ter muito a ver com a que teve com seu irmão Gustavo, que é mais velho. “Está acontecendo algo parecido com aquilo que eu passei no Banespa, onde comecei. O meu irmão Gustavo já estava jogando. Entrei na base e cheguei na equipe principal. Dividi a quadra com ele muitas vezes. Ele foi uma referência para mim. É bem o que está rolando agora comigo e com o Eric. E espero passar isso para ele e para os outros garotos do Sesi”, comentou.

Com a reestruturação da equipe principal, Eric terá mais chances de atuar e conta com a ajuda do pai e do tio para ganhar mais experiência. Pela primeira vez vai jogar uma Superliga e justamente de ponteiro, na posição em que Murilo fez muito sucesso. “Minha relação com meu tio e com meu pai é basicamente a mesma. Eles me dão conselhos, me ajudam bastante em quadra. Fora é aquela coisa de brincadeiras, de descontração, como em toda família”, revelou ao Estadão.

No começo da carreira, Eric seguiu os passos do pai e atuou como central. Só depois que passou para a ponta. “Quando eu comecei a jogar, em Canoas (RS), ainda na categoria mirim, eles me colocaram como central por causa da minha altura. Mas, apesar de ser a posição do meu pai, achava muito chato ser central. Não gostava. Depois, já no infantil, comecei a treinar passe. E daí apareceu a chance em um jogo que a equipe estava sem ponteiro. Entrei, fui muito bem e não saí mais”, contou o jogador, hoje com exatos 2 metros de altura.

NOVO TÉCNICO – Para comandar o Sesi-SP na nova temporada, Marcelo Negrão, campeão olímpico nos Jogos de Barcelona-1992, que já vinha trabalhando com a categoria sub-19, assume o grupo principal. E assim como parte do seu grupo, o treinador vem para a sua estreia sob o comando de uma equipe que atuará em disputas na categoria adulta.

“Desde que eu encerrei minha carreira de atleta, recebi alguns convites para ser treinador, mas eu optei por iniciar este processo de transição pelas categorias de base. Em 2018 fui convidado pelo Sesi-SP para exercer justamente o papel que eu procurava, aprender para poder crescer na função de treinador. Iniciei essa nova jornada com a categoria mirim, passei pelo infanto-juvenil e pude acompanhar alguns jogos do time juvenil. Aprendi a ver o vôlei do outro lado da quadra e estou muito feliz e honrado por essa oportunidade. Feliz por acreditarem e confiarem no meu trabalho”, explicou.

Murilo destacou a presença de Marcelo Negrão no time a partir de agora. “Eu e o Marcelo Negrão já acompanhamos esses meninos nas categorias de base e agora vamos exigir bastante deles, mas ao mesmo tempo passar experiência, tranquilidade e mostrar o caminho para que eles se desenvolvam ainda mais. Eles vão ter a chance de mostrar que já estão preparados, não é à toa que muitos já atuaram junto com o time adulto em outros momentos”, explicou.

O líbero do Sesi-SP espera que os treinos, ainda de forma virtual com cada um em suas casas, voltem logo. “Para mim, particularmente, vai ser muito bom conviver com esses garotos, vai ser revigorante, muita energia. Por enquanto seguimos esperando a pandemia dar uma acalmada, mas assim que voltar os treinos serão momentos de muita conversa, paciência e muito trabalho”, finalizou.

Vinícius Saponara
Estadao Conteudo
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