Comitê Olímpico dos EUA diz que não punirá atletas por protestos pacíficos

De Redação Estadão | 10 de dezembro de 2020 | 15:25

O Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos (USOPC) surpreendeu nesta quinta-feira ao anunciar que não vai punir atletas por eventuais protestos e demonstrações de apoio a causas de justiça social ou racial. Além disso, a entidade pediu mudanças na Regra 50 da Carta Olímpica, que impede este tipo de manifestações nos eventos esportivos.

“Tomamos a decisão de que os atletas do ‘Team USA’ não será punidos pelo USOPC por demonstrações pacíficas e respeitosas em apoio à justiça social e racial para todos os seres humanos”, diz comunicado assinado pela CEO do Comitê, Sarah Hirshland.

“O USOPC valoriza as vozes dos atletas americanos e acredita no direito deles de defender causas de justiça social e racial e que eles são uma força positiva para a mudança, totalmente alinhados com os valores fundamentais de igualdade que definem o ‘Team USA’ e os movimentos olímpicos e paralímpicos”, completou a dirigente.

Além disso, a CEO pediu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) para alterar a controversa Regra 50, que impede “qualquer demonstração de propaganda política, religiosa ou racial em qualquer área, local ou equipamento da competição olímpica”. “Vamos continuar a trabalhar com o Comitê Olímpico Internacional e com o Comitê Paralímpico Internacional para que consideram a possibilidade de fazer uma emenda na Seção 2.2 da Regra 50 da Carta Olímpica.”

Ela alega que a questão dos direitos humanos não se enquadram nesta regra. “É necessário afirmar inequivocadamente que os direitos humanos não são uma questão política e que pedidos pacíficos por igualdade e equidade não podem se confundir com demonstrações de divisão.”

No mesmo comunicado, Hirshland pediu desculpas em nome da entidade por não ter apoiado atletas como John Carlos e Tommie Smith, que se tornaram famosos nos Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1968, quando protestaram contra a segregação racial nos EUA com os punhos apontados para o céu.

“Está claro agora que esta organização deveria ter apoiado, ao invés de ter condenado. Por isso, pedimos desculpas. E espero por um futuro onde as regras serão claras, onde as intenções serão melhor compreendidas e as vozes serão empoderadas”, disse a dirigente.

Hirshland também lamentou por ter repreendido os atletas Gwen Berry, do lançamento do martelo, e Race Imboden, da esgrima, por terem violado a Regra 50 durante os Jogos Pan-Americanos de Lima, no ano passado. Na ocasião, Berry levantou o punho e Imboden se ajoelhou no pódio da competição.

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