Consórcio antecipa reforma e Pacaembu só vai receber jogos de futebol em 2023

De Redação Estadão | 17 de julho de 2020 | 21:33

O estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, não vai mais receber jogos de futebol até a sua reabertura, que deve acontecer em 2023. Uma das razões é a deterioração do gramado causada pela instalação do Hospital de Campanha, construído pela prefeitura de São Paulo para o atendimento de pacientes da covid-19.

Como a recuperação do gramado demoraria entre três a quatro meses, o Consórcio Patrimônio SP, administrador da arena, decidiu antecipar o início das obras de reforma previstas no contrato de concessão à iniciativa privada. Com isso, o estádio não vai abrigar partidas de futebol na retomada do calendário nacional. O Campeonato Paulista recomeça na próxima quarta-feira e o Campeonato Brasileiro, no dia 8 de agosto. O estádio não está vinculado diretamente a nenhum clube para realização de jogos.

O contrato firmado com o hospital Albert Einstein para a administração do Hospital de Campanha foi firmado em abril com duração de 120 dias, o que permitiria o seu funcionamento até o final deste mês. A evolução positiva da epidemia na cidade permitiu, segundo o poder municipal, que o local fosse fechado mais cedo, no último dia 26. Com isso, o cronograma do consórcio foi refeito.

“Não vamos mais receber jogos de futebol antes do início das obras. Felizmente, o encerramento do hospital ocorreu em 90 dias. Com isso, nós reorganizamos nossas atividades com a antecipação das obras. Também pesou o tempo para recuperar o gramado”, afirmou Eduardo Barella, líder do consórcio ao Estadão. “O processo de replantio demoraria três a quatro meses, o que coincidiria com o início das obras”, completou.

O consórcio trabalha agora na obtenção de alvarás e liberações da prefeitura para o início das obras. A reformulação deve começar entre outubro e novembro de 2020, com duração prevista de 24 a 28 meses.

O complexo esportivo, composto por uma piscina olímpica, duas quadras de tênis e ginásio poliesportivo, além do estádio de futebol, passará por uma reformulação completa. A praça Charles Muller e o Museu do Futebol ficaram fora da concessão.

Uma das principais alterações previstas é a demolição do tobogã, arquibancada inaugurada no início da década de 1970. No seu lugar deverá ser erguido um prédio de cinco andares, com 44 mil metros quadrados de área construída. A autorização recebeu parecer favorável dos órgãos de conservação do patrimônio público (Conpresp e Condephaat).

O projeto prevê que o novo edifício tenha cafés, restaurantes, lojas, escritórios, espaços multifuncionais e o centro de convenções e eventos, construído no subsolo junto ao novo estacionamento. O térreo terá vista para o gramado e ao boulevard que será criado no local onde hoje fica o estacionamento do clube esportivo. Uma praça pública elevada irá conectar as ruas Desembargador Paulo Passaláqua e Itápolis. A receita do novo Pacaembu será composta por shows, eventos, aluguel de espaços e estacionamento.

Barella reafirma que o estádio vai continuar recebendo jogos de futebol após a reabertura. Com a demolição do tobogã, ele deverá ter sua capacidade reduzida de 39 mil para 26 mil lugares. “Queremos muito continuar sendo a casa simpática do futebol e até aumentando o número de jogos. É natural que uma intervenção dessa magnitude faça com que o estádio fique inutilizado por algum tempo. É isso que está acontecendo”, disse o líder do consórcio.

Gonçalo Junior
Estadao Conteudo
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