Contágio foi maior entre pardos e pobres na capital

De Redação Estadão | 10 de julho de 2020 | 08:06

Novos resultados do inquérito sorológico realizado pela Prefeitura de São Paulo apontam que 9,8% dos moradores da cidade contraíram o novo coronavírus, o que representa 1,2 milhão de pessoas. Os dados da fase 1 do levantamento foram divulgados nesta quinta-feira, 9, pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), em coletiva de imprensa.

Oficialmente, o município tem 176.303 casos confirmados da doença, número sete vezes menor do que o estimado pelo inquérito. O documento também ajuda a entender uma taxa de letalidade da doença. Com isso, afirmou o secretário de Saúde, Edson Aparecido, é possível direcionar estratégias de atenção para os casos susceptíveis, “sobretudo no momento de flexibilização das atividades econômicas da cidade”.

A primeira etapa do estudo, chamada de fase zero, com dados até 21 de junho, havia apontado a contaminação de 9,5% da população. O anúncio feito ontem inclui dados até o dia 6 de julho. Na avaliação de Aparecido, “a prevalência se mantém estável, o que reflete a atenção que nós tivemos em todo o território da atenção básica, mesmo num momento de abertura”. Os “fatores de risco” são relacionados à pobreza e vulnerabilidade, como menor escolaridade, menor renda e maior número de moradores no domicílio.

Na fase zero, a prevalência maior tinha se dado na zona leste, com 12,5%. Na fase 1, se destacou mais a zona sul, com 11%. Os “hot spots”, onde a concentração de testes positivos foi maior, são: Brasilândia, Cachoeirinha, Jaçanã, Liberdade, Santa Cecília, Cidade Ademar, Jardim São Luis, Campo Limpo, Capão Redondo, Parque São Lucas, Sapopemba, Itaim Paulista, Itaquera e Lajeado.

A análise dos dados do inquérito já permitiu traçar um perfil sociodemográfico das pessoas que tiveram contato com a doença. A prevalência foi maior entre indivíduos na faixa etária de 35 a 49 anos, que nunca estudaram, da raça parda e renda nas faixas de classes D e E. Também é mais comum em domicílios com 5 ou mais moradores acima de 18 anos, entre indivíduos que não praticaram o distanciamento social e entre os que trabalharam fora de casa ou em regime misto. “O vírus jogou luz na desigualdade social que temos na cidade de São Paulo. É inaceitável que seja 3 vezes mais perigoso na classe E que na classe A”, afirmou Covas.

O prefeito afirmou que nos 14 distritos de maior incidência será feito um “trabalho mais presente de campo com todas as pessoas sintomáticas, com todas que tiverem dado positivo em testes de PCR”. Segundo ele, serão acompanhadas também as famílias dessas pessoas, com testes de ao menos 5 familiares que convivam com a pessoa infectada. “(O objetivo) é fazer acompanhamento da disseminação do vírus na cidade, para poder ter toda a tranquilidade de que estamos fazendo a flexibilização, mas que o trabalho para conter a pandemia ainda continua”, disse Covas.

De acordo com a Prefeitura, o exame sorológico usado na pesquisa avalia a presença de anticorpos para a covid-19 em usuários cadastrados em unidades de saúde da capital paulista.

O inquérito faz uma amostragem, por sorteio, de 12 domicílios para cada uma das 472 Unidade Básica de Saúde (UBS), no qual um residente será testado. Do total de 5.772 pessoas sorteadas, foram feitas 2.854 coletas. A margem de erro é de 2,1%. Ao todo, o inquérito sorológico terá 9 fases, realizadas a cada 15 dias, sempre com um mesmo número de indivíduos sorteados.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Priscila Mengue, Isaac Oliveira e e Giovana Girardi
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