Contrariando OMS, secretário de Guedes diz ser baixa a chance de 2ª onda de covid

De Redação Estadão | 17 de novembro de 2020 | 15:34

Na contramão das expectativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o secretário de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, disse nesta terça-feira, 17, que a possibilidade de uma segunda onda de coronavírus no Brasil é baixa porque, segundo ele, vários Estados estariam caminhando para a chamada imunidade de rebanho.

Na opinião de Sachsida, que é o responsável pelas projeções do ministério comandado por Paulo Guedes, isso ocorreria quando 20% da população de um Estado é infectada pelo vírus. A OMS, porém, já declarou que essa imunidade comunitária só seria atingida com 65% da população infectada e que isso não seria a “salvação da pandemia”. Em outubro, um grupo de 80 pesquisadores alertou, em carta à revista The Lancet, que abordagens sobre imunidade de rebanho para manejo da covid-19 é uma “falácia perigosa” e “não tem apoio de evidência científica”.

“Os estudos que temos mostram que muitos Estados atingiram ou estão muito próximos de atingir a imunidade de rebanho. Honestamente, acho baixa a probabilidade de segunda onda no Brasil”, respondeu Sachsida, inicialmente.

Em um segundo momento, ele explicou que a secretaria não faz estudos na área de Saúde e que as declarações foram feitas com base nas análises de dados abertos e novos estudos por “dois PHDs” da secretaria. “Quem vai dizer se há segunda onda não é Ministério da Economia, e sim o Ministério da Saúde”, completou.

O subsecretário de Política Fiscal, Erik Figueiredo, acrescentou que a Secretaria de Política Econômica não afirma que há imunidade de rebanho, mas, sim, coloca dúvida sobre o atingimento desse nível de imunização.

“Temos o dever de acompanhar indicadores econômicos. Os indicadores são afetados pelo distanciamento social, que é afetado pela evolução da pandemia. Com os dados que eu tenho, a chance de segunda onda é baixa”, argumentou Sachsida. “Acompanhamos isso não do ponto de epidemiologia, mas precisamos saber disso para fazermos nossas previsões”, completou.

Criticado por cientistas, o conceito de imunidade de rebanho vem sendo utilizado por representantes do governo como o líder do governo na Câmara e ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), e pelo ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro, Osmar Terra. Este último, que foi um dos principais críticos do distanciamento social e defensor do isolamento vertical, no qual a quarentena é feita apenas por idosos e pessoas do grupo de risco, anunciou na última sexta-feira que contraiu covid-19.

Eduardo Rodrigues e Lorenna Rodrigues
Estadao Conteudo
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