Coronavírus: crianças são transmissores em potencial

De lucianpichetti | 14 de maio de 2020 | 15:34
Foto: Divulgação

Mesmo com o aumento de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil, as crianças parecem ser as menos afetadas. Grande parte dos pacientes infantis são assintomáticos ou apresentam sintomas leves e moderados, em quadros que não precisam de internamento, em sua maioria.

Entre os motivos para a baixa incidência, estão a falta de adaptação do vírus ao sistema imune das crianças, que ainda está em formação, além da menor expressão do receptor angiotensina, responsável pela entrada do vírus no organismo.

“Ainda é um pouco cedo para falar com certeza, mas essas são algumas linhas de pesquisa. Se elas têm menos portas abertas para o vírus, têm, consequentemente, uma menor entrada,” explica Camila Benvegnu, pneumologista pediátrica e médica assistente na Lar e Saúde – uma das maiores prestadoras de home care do Brasil.

Transmissoras em potencial

Por outro lado, ainda que as crianças apresentem quadros mais leves em sua maioria, isso não significa que os cuidados devam diminuir, já que mesmo sem sintomas, elas podem estar transmitindo o vírus.

“Às vezes você pode ter uma criança que está aparentemente saudável e está brincando com os avós. Mas na verdade ela pode estar contaminada e, desta forma, vai levar o vírus até as pessoas idosas com quem convive,” afirma a especialista.

Assim, as medidas de prevenção devem ser as mesmas recomendadas para toda a população, como lavar as mãos com água e sabão e não sair de casa.

Conversar é importante

Além de falar sobre os cuidados, a pneumologista ressalta a importância de conversar com a criança de forma clara e simples, explicando o que é o vírus, como é transmitido, o que são medidas de prevenção e qual sua relevância.

Vacinação e medicamento de uso crônico

Com a chegada do outono e as temperaturas mais baixas, é comum que o índice de crianças gripadas aumente. Como muitos sintomas da Covid-19 se assemelham aos da gripe comum — como febre, dor no corpo, coriza, tosse — mais do que nunca é importante manter a carteirinha de vacinação dos pequenos em dia.

No caso de recém-nascidos, a orientação é evitar receber visitas. Caso não seja possível, todos devem utilizar máscaras e procurar não beijar ou abraçar a criança. Lembrando que, pessoas que estejam com algum sintoma não devem visitar bebês pequenos.
 
Cuidados com a amamentação

Ainda não há evidências de transmissão da mãe para o bebê, ou registro de contaminação por meio do leite materno. Por isso, o aleitamento deve continuar. Por outro lado, algumas medidas de proteção devem ser tomadas pela mãe: usar máscara e lavar bem as mãos antes e depois da amamentação são recomendações indispensáveis.

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