Críticas do governo à Petrobras impedem Ibovespa de seguir alta externa

De Redação Estadão | 19 de fevereiro de 2021 | 11:07

A tranquilidade externa retratada na alta das bolsas europeias e dos índices futuros em Nova York é insuficiente para permitir valorização do Ibovespa nesta sexta-feira. As críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro à Petrobras se sobrepõem ao cenário externo positivo, pois sugerem ingerência política na companhia, após o mandatário afirmar que os reajustes tomados pela empresa terão “consequência”. Ontem, o Ibovespa fechou em baixa, de 0,96%, aos 119.198,97 pontos.

Às 10h49, cedia 0,67%, aos 118.404,54 pontos. As ações da petrolífera caíam em torno de 1,00%.

Para Fernando Siqueira, gestor da Infinity Asset. “obviamente a notícia é negativa. “Temos de novo essa insatisfação do presidente Jair Bolsonaro em relação à política de preços da companhia e também uma crítica velada ao presidente da empresa Roberto Castelo Branco. O mercado vai entender como sinal de mudança na presidência”, avalia em nota.

“Temos de esperar para ver qual medidas será tomada, quão dura será e qual pode ser o nível de intervenção”, afirma ao Broadcast Bruno Takeo, gestor da Ouro Preto Investimentos.

Apesar do tom positivo dos mercados de ações internacionais, a queda do petróleo no exterior, diante de temores de que o rigoroso inverno no Texas, que suspendeu as atividades petrolíferas, eleve os estoques, também é outro componente negativo para as ações da Petrobras e para o Ibovespa. Além disso, será informado o PMI Composto dos EUA (11h45) e ainda acontece a Conferência de Segurança de Munique, com discursos (meio-dia) do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, dentre outras autoridades do G7, o que será acompanhado pelos mercados.

Lá fora, há tentativa de recuperação após dados de atividade na Europa que, no geral agradaram aos mercados. “Agora os investidores devem avaliar os mesmos números dos Estados Unidos, que saem mais tarde e que devem apontar a melhora da atividade no país, ainda que a recente onda de frio seja um fator de risco”, descreve em análise o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria Integrada.

Além do impacto negativo das críticas do governo à Petrobras, a MCM Consultores cita ainda que que a “indefinição quanto às contrapartidas da PEC Emergencial também é outro fator negativo.”

As falas de Bolsonaro em relação à companhia são um sinal “horrível e tem impacto forte nas ações”, diz Takeo. Ainda contribui com a queda do Ibovespa o recuo de ações ligadas a commodities metalicas, após leve realização de lucros do minério de ferro na China, que cedeu 0,86% em Qingdao, a US$ 173,55 a tonelada, após subir quase 5% na véspera.

Depois do reajuste anunciado ontem pela Petrobras, Bolsonaro anunciou em Live semanal de quinta-feira que não haverá nenhum imposto federal sobre o preço do óleo diesel por dois meses. O presidente considerou o aumento nos preços dos combustíveis, o quarto do ano, “fora da curva” e “excessivo”. O mandatário reforçou que não pode interferir na estatal, mas ressaltou que a medida “vai ter consequência”. Ontem, a companhia elevou o óleo diesel em 15,2% e em 10,2% a gasolina a partir de hoje.

Balanços

A JHSF Participações, dona de negócios de luxo como o shopping Cidade Jardim, os restaurantes Fasano, e o complexo de aeroporto e outlet Catarina, entre outros, informou lucro líquido atingiu R$ 189,2 milhões no quarto trimestre de 2020, queda de 10,4% ante o mesmo período de 2019. No acumulado do ano, a companhia obteve lucro líquido de R$ 638,9 milhões, aumento de 98,6% em relação ao ano anterior. Os papéis cediam 1,89%

Já a IRB Brasil Re reverteu lucro e teve prejuízo líquido de R$ 620,2 milhões no último trimestre de 2020. O desempenho foi mais que o dobro, ou alta de 170%, em relação ao apurado no terceiro trimestre. As ações caíam 3,31%, liderando a lista das três maiores perdas juntamente com Petrobras ON (-5,44%) e ON (-5,09%).

Maria Regina Silva
Estadao Conteudo
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