De portas fechadas

De Redação Estadão | 13 de março de 2020 | 07:00

O festival Lollapalooza, previsto para ser realizado em São Paulo nos dias 3, 4 e 5 de abril, pode ser adiado pela organização por causa da pandemia do novo coronavírus. A decisão deve seguir a determinação nas praças vizinhas Argentina e Chile, que anunciaram a transferência dos shows para o segundo semestre. A produção no Brasil não se pronunciou sobre as possíveis mudanças até o fechamento desta edição, mas o jornal O Estado de S. Paulo apurou que artistas começaram a ser sondados para transferir seus shows para novembro.

No Chile e na Argentina, os shows seriam entre 27 e 29 de maio. “Estamos trabalhando para a reprogramação da edição 2020 do festival para a segunda metade do ano”, disse o comunicado a respeito dos festivais nos países vizinhos. “Diante desse fato sem precedente, nossa prioridade é preservar a saúde e segurança do público, artistas e equipe de trabalho, e acatar as medidas preventivas das autoridades públicas. Em breve, compartilharemos as datas através de nossa página oficial e nossas redes.”

Por enquanto, não existe no Brasil nenhuma orientação oficial do Ministério da Saúde para eventos com grande concentração de pessoas.

Médico infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Luis Fernando Aranha Camargo contesta o efeito real de uma eventual proibição e ressalta que ir ou não é uma decisão individual. “Se pensar racionalmente, é óbvio: quanto menos gente ao redor, menos concentração, menos risco de transmissão”, aponta. “Mas se o festival ocorrer, é impossível controlar”, diz Camargo. “A pessoa pode usar uma máscara, mas aí não vai cantar?” Em situações assim, aponta, minimizar o risco de contágio é praticamente impossível.

Algumas empresas do setor já tomam decisões radicais. A revista norte-americana Billboard apurou que a Live Nation, a maior promotora de shows do mundo, já trabalha para adiar ou suspender todas as suas turnês até o fim de março, dentro e fora dos EUA. Contatada via assessoria de imprensa, a Live Nation Brasil não quis comentar.

Segundo a revista, a empresa disse aos funcionários nesta quinta que vai adiar shows e turnês de arena até o fim do mês, com algumas exceções ainda não confirmadas. Billie Eilish, Jason Aldean, Zac Brown Band, Cher, Kiss, Post Malone e Tool são alguns dos artistas com turnês que podem ser afetados nos EUA. No Brasil, o show que poderia ser afetado pela medida é do cantor de K-pop Eric Nam, marcado para o dia 25 de março, no Cine Joia, em São Paulo. Não há, porém, anúncio oficial. O show do Backstreet Boys, trazido pela Live Nation, está confirmado para ocorrer no Allianz Parque, no próximo domingo.

As casas de shows começam a ter trabalho com suas programações. O guitarrista Sammy Hagar, que faria um show no Espaço das Américas no próximo dia 22 com o projeto The Circle, foi, segundo um comunicado da casa, “irredutível” quanto ao cancelamento de seu show. O site está instruindo os fãs para a devolução de ingressos. O Tom Brasil, por meio de seu sócio-diretor Christian Tedesco, não informou quais shows podem ser cancelados, mas disse que esta é uma grande preocupação no momento, “pois o setor de entretenimento, que emprega mais do que a indústria automobilística, não conta com nenhuma ação protetiva em situações assim”.

Outros festivais se preparam para agir. Ainda sem anunciar sua programação ou vender ingressos, o Rio Montreux Jazz Festival, festival de jazz sob a bandeira poderosa do festival suíço Montreux Jazz Festival, está previsto para o fim de maio, na região do Pier Mauá, no Rio. Seu idealizador, Marco Mazzola, diz que fará com sua equipe uma reunião na próxima terça. Se não teme prejuízos? “Prejuízo está ao lado de quando você quer fazer algo contra o que está acontecendo.”

Tedesco conta que a casa está contratando profissionais adicionais para “somar a nossa brigada a fim de higienizar a casa durante os shows limpando, além de banheiros, mesas, balcões, corrimãos e maçanetas, antes e depois dos espetáculos”.

Em entrevista ao Estado, o secretário estadual de Cultura Sérgio Sá Leitão diz que não há, até o momento, nenhuma determinação do governo para que os eventos públicos nos aparelhos públicos sejam cancelados. “Todos os cenários foram cogitados por uma comissão que está sendo presidida pelo doutor David Uip. Vamos seguir as determinações do governo. Mas precisamos evitar o pânico, que pode ser tão perigoso quanto a doença.”

SP-Arte

A feira que seria realizada em abril, no Parque do Ibirapuera, também foi suspensa por causa do coronavírus. Uma nova data está sendo estudada. (Com Guilherme Sobota e Renato Vieira)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Julio Maria
Estadao Conteudo
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