De volta à Casa Branca, Trump evita falar de covid e promete ir a debate

De Redação Estadão | 7 de outubro de 2020 | 07:02

No primeiro dia de trabalho na Casa Branca, após três noites no hospital militar Walter Reed, Donald Trump disse ontem que pretende ir ao debate com Joe Biden, dia 15, e tentou tirar sua saúde do centro das atenções. Em isolamento e impedido de fazer comícios em razão da covid, ele fez campanha pelo Twitter.

Um dos assuntos mais comentados nas redes sociais era o vídeo em que Trump parecia respirar com dificuldade ao tirar a máscara em frente à Casa Branca. Ontem, porém, das 18 mensagens no Twitter, o presidente falou do vírus apenas em 3. Em uma, ele disse estar se sentindo “ótimo”. Em outra, acusou a “imprensa fake news” de só querer falar de covid. A última mensagem foi derrubada pelo Facebook por divulgar informação falsa ao comparar o coronavírus à gripe.

A maior parte do foco de Trump se voltou a ataques contra Biden. Ele disse estar “ansioso” para participar do segundo debate, mas não é possível saber se o presidente estará curado ou se ainda será um agente de transmissão. Hoje, o debate será entre os candidatos a vice. Por exigência da democrata Kamala Harris foram instaladas placas de acrílico entre ela e o republicano Mike Pence no encontro em Salt Lake City.

Em uma decisão surpreendente, Trump rompeu ontem as negociações com o Congresso sobre um novo pacote de estímulo econômico a ser oferecido durante a pandemia. Segundo ele, a articulação está suspensa até a eleição. Trump acusou a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, de ser a culpada pelo fracasso.

A decisão provocou surpresa entre analistas políticos. A economia é o ponto forte de Trump e a maioria dos americanos defende um novo pacote de socorro de US$ 2 trilhões. “Claramente a Casa Branca está em desarranjo”, disse Pelosi, que sugeriu que os esteroides que Trump tomou para combater a covid estão afetando seu pensamento.

A estratégia de tirar das manchetes o seu estado de saúde, no entanto, pode beneficiar o presidente. “Trump oscilou negativamente nas pesquisas desde sexta-feira, a doença criou insegurança. A campanha pretende mudar a agenda. E a expectativa do partido é que, daqui a quatro ou cinco dias, ninguém fale mais da infecção”, afirma o professor da Universidade George Washington, Maurício Moura.

A divulgação de informações sobre a saúde do presidente também se tornou mais discreta. Diferentemente dos últimos dias, não houve entrevista coletiva nem atualizações médicas. A única novidade foi um relatório em que o médico Sean Conley afirma que Trump está sem sintomas e com sinais vitais estáveis, com nível de saturação de oxigênio entre 95% e 97%.

Segundo o New York Times, o presidente pensou em fazer um pronunciamento nacional ontem, mas aparentemente desistiu. O clima na Casa Branca é de preocupação com a propagação do vírus. Ao menos 19 pessoas que estiveram em contato com o presidente ou que participaram da cerimônia de nomeação da juíza Amy Coney Barrett à Suprema Corte, feita na Casa Branca há dez dias, foram infectadas.

Já Biden continuou com a campanha. Depois de ter ido à Flórida, na segunda-feira, o candidato democrata viajou ontem para a Pensilvânia e segue amanhã para o Arizona. Ele disse que pretende ir ao debate, mas fez uma ressalva. “Se ele (Trump) ainda estiver com covid, não deveríamos ter o debate”, disse.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Beatriz Bulla, correspondente
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