Debate escancara briga por 2º turno em SP

De Redação Estadão | 7 de novembro de 2020 | 07:19

Dois dos três candidatos que disputam uma das vagas no segundo turno das eleições municipais em São Paulo – segundo as mais recentes pesquisas de intenção de voto -, Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB), protagonizaram alguns dos poucos momentos de críticas mútuas no debate realizado ontem pela revista Veja.

O prefeito e candidato à reeleição Bruno Covas (PSDB) se isolou na liderança na disputa, com 28% das intenções de voto, enquanto Boulos e França têm 14% e 13%, respectivamente, de acordo com a pesquisa Datafolha divulgada anteontem. Celso Russomanno (Republicanos), que tem 16%, mas em trajetória decrescente nas pesquisas, não compareceu ao debate, alegando conflito de agenda. No mesmo horário, ele foi sabatinado pelo jornal Folha de S.Paulo.

Nas duas vezes em que escolheu para qual candidato iria direcionar a sua pergunta, Boulos selecionou França. Entre as farpas trocadas, o ex-governador chegou a mencionar uma controvérsia envolvendo o currículo do adversário do PSOL.

“Vi aí no teu currículo a história de que você declarou que estava dando aula em uma escola em que não estava, negócio meio torto. Pensei assim: ‘Será que o (Jair) Bolsonaro leva ele para ser ministro?’ Porque o Bolsonaro tem mania de pegar uns caras que fazem uns currículos meio tortos”, disse.

Boulos acusou o adversário de fazer fake news. “Sou professor, dou aulas e tenho vínculo”, afirmou. O candidato havia incluído em seu currículo Lattes uma atuação profissional na USP desde 2014, mas não havia especificado o vínculo e enquadramento funcional. Em agosto, a assessoria do candidato disse que Boulos foi bolsista da Capes de 2014 a 2016 e concluiu mestrado em Psiquiatria na Faculdade de Medicina da USP.

O campo que ele havia preenchido não era destinado a bolsas estudantis, apenas a vínculos profissionais. Por causa da confusão, circulou a notícia falsa segundo a qual Boulos seria funcionário fantasma da universidade, o que foi desmentido pelas agências de checagem.

Também estavam presentes no debate Arthur do Val (Patriota), Jilmar Tatto (PT) e Joice Hasselmann (PSL). O prefeito, que está isolado na liderança das pesquisas, foi alvo de todos os presentes. Os demais postulantes à Prefeitura fizeram dobradinhas entre si – quando tanto quem pergunta quanto quem responde se alinham para criticar uma terceira pessoa ou elogiar um projeto.

Temas

Boulos e Arthur discutiram sobre a situação de imóveis abandonados no centro de São Paulo. Para o candidato do Patriota, o problema é o excesso de tombamentos. Ele propôs “flexibilizar leis de tombamento para dar uso e vida para o local”. O candidato do PSOL falou em transformar esses imóveis em moradia popular. “Muitos imóveis abandonados devem mais imposto do que o valor dele próprio”, disse.

A situação da população em vulnerabilidade social foi debatida por Covas, França e Joice. O ex-governador criticou o prefeito ao afirmar que o dinheiro de obras como a fonte do Anhangabaú e de reformas em calçadas poderia ser usado para dar oportunidades a pessoas que estão nas ruas, e disse que em sua gestão a Prefeitura ofereceria pousadas e hotéis. “Justiça social não se faz com utopia”, respondeu Covas.

Joice criticou a gestão municipal de educação durante a pandemia. “A prefeitura tem que dar conta de levar a educação para a casa da criança se necessário”. Covas afirmou que reverteu a tendência de queda do município no Ideb e prometeu investir em turno nas escolas e contraturno em casa “com tablets com internet”.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Matheus Lara e Paula Reverbel
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