Defesa da cultura marca prêmio APCA

De Redação Estadão | 19 de fevereiro de 2020 | 06:00

Artistas e produtores reuniram-se na noite de segunda-feira, 17, no Teatro Sérgio Cardoso, para uma confraternização anual: a entrega dos prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, a APCA. A entidade festejou sua 63ª premiação aos melhores de 2019 e os ganhadores de dez categorias (já previamente determinados) receberam o troféu criado pelo artista plástico Francisco Brennand, morto no ano passado.

Foi uma noite de homenagens. O diretor regional do Sesc-SP, Danilo Santos de Miranda, por exemplo, escolhido pelo júri de teatro, recebeu o troféu de grande prêmio da crítica da categoria. “Na nossa tribo, temos de resistir aos ataques que a cultura está sofrendo. O reconhecimento nos fortalece, demonstra a importância do que estamos fazendo. É a reafirmação. Temos de seguir. Educação e cultura em primeiro lugar”, afirmou. A instituição ainda recebeu o grande prêmio da crítica na categoria dança. “Sem cultura e educação, nós não temos saída.”

Na categoria Rádio, um dos destaques foi a premiação para André Góis, como melhor apresentador musical pop/rock pelo comando do programa Hora da Vitrola, da Rádio Eldorado. “Esse troféu chega quando completo 25 anos de carreira”, comemorou.

Na música, a novata Ana Frango Elétrico recebeu o troféu na categoria revelação. “Tomara que esse prêmio fique menos branco e menos heteronormativo”, afirmou.

Na outra ponta, a veterana Fernanda Montenegro recebeu um prêmio especial, pela sua atuação no cinema, TV, teatro e literatura. Em vídeo, ela ressaltou a cidade no mapa cultural do País. “Com todos os ataques sofridos na cultura, é sempre a cidade de São Paulo que nos socorre. É nosso Shangri-lá, nossa Terra Prometida”, disse ela, visivelmente emocionada.

A atriz Roberta Estrela DAlva recebeu o troféu em nome de Fernanda. E ela honrou a missão: “Mexeu com a Fernandona, mexeu com a gente. Que nosso país possa cultivar sua memória”, ressaltou.

Já a dramaturga Angela Ribeiro criticou a ausência de seu nome no programa da premiação. Ela assina a adaptação do espetáculo Dom Quixote, da Cia Um de Teatro. “Pode parecer uma coisa chata, mas o trabalho foi desenvolvido com outros dois artistas, homens, mas fui a responsável pela adaptação e meu nome não aparece”, justificou.

Entre os ganhadores de espetáculos infantojuvenis, na categoria sobre identidade de gênero, a peça Existo! marcou terreno. “Esse tema é de risco por falar com o público LGBTQI+ – seria difícil estrear em qualquer espaço. Essas crianças existem”, reforçou a diretora Cris Lozano, da companhia La Leche, ao lado do autor e ator Alessandro Hernandez e da atriz Ana Paula Lopez.

Débora Bloch foi premiada por sua interpretação na série de TV Segunda Chamada, da Globo. “Botou uma atriz no palco, vou ter que falar”, brincou ela, que interpretou a professora Lúcia, que leciona português para jovens e adultos que não tiveram chance de estudar. “O governo está perseguindo os professores. Que todos possam ter acesso à educação pública.”

A APCA voltou a ser criticada em sua escolha de vencedores. “É um absurdo que não exista diversidade racial nesse prêmio. A classe teatral ainda é branca demais”, observou o diretor Jé Oliveira, do espetáculo Gota dÁgua Preta. Foi prontamente aplaudido.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Leandro Nunes
Estadao Conteudo
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