Democrata quer reduzir status de aliado extra-Otan do Brasil

De Redação Estadão | 13 de julho de 2020 | 07:25

Uma deputada do partido democrata tenta buscar apoio dentro da Câmara para esvaziar a designação dada pelo governo Trump ao Brasil de aliado preferencial fora da OTAN – a Organização do Tratado do Atlântico Norte. A democrata Deb Haaland planeja propor nas próximas semanas uma emenda à lei de orçamento de defesa americana para bloquear eventuais recursos de defesa que possam estar envolvidos na parceria com o governo Bolsonaro.

No esboço do documento, ao qual o Estadão teve acesso, a parlamentar diz que o presidente Jair Bolsonaro está deixando “embaçada” a linha de separação entre a parte civil de seu governo e os militares, o que colocaria o Brasil “de volta para a direção de uma ordem militar”.

“Mesmo depois de ter sido diagnosticado com covid-19, Bolsonaro falha em levar o vírus a sério. É um ataque aos direitos humanos. Os EUA não deveriam se alinhar com um líder que coloca sua população em risco, destrói o meio ambiente e viola os direitos humanos”, afirmou Haaland ao Estadão, por e-mail.

Haaland é a primeira indígena americana a se eleger para o Congresso americano e tem sido uma das vozes críticas ao governo Bolsonaro no Capitólio. Associações que subscrevem o pedido argumentam que há clima na Câmara para avançar com uma proposta que tente esvaziar a parceria entre os governos Trump e Bolsonaro.

A designação do Brasil como um aliado preferencial fora da OTAN foi uma das vitórias anunciadas pelo governo brasileiro com a visita de Bolsonaro à Casa Branca, em março de 2019. O status é dado a países considerados aliados estratégicos no setor de defesa dos EUA. A ala militar brasileira comemorou a designação, como uma forma de facilitar a transferência de tecnologia e torna o país um comprador preferencial de equipamentos e tecnologias militares americanas.

A proposta de Haaland é bloquear qualquer privilégio econômico que o Brasil possa ter com a designação, através do bloqueio de recursos no orçamento.

“A Lei de Defesa é uma das únicas que é aprovada todos os anos. Muitas leis não prosperam, mas essa sempre passa. Toda vez que um parlamentar quer fazer um movimento sobre política externa, faz através dessa lei. Uma das formas de fazer isso é bloquear o uso de recursos para determinados fins”, afirma Erik Sperling, diretor executivo da organização Just Foreign Policy, uma das que subscreve a carta.

Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o maior impacto da medida é o sinal político dado ao governo brasileiro pelos parlamentares. “É um reflexo de uma piora considerável da imagem do Bolsonaro entre democratas. É quase unânime, a essa altura do campeonato, que se Joe Biden entrar na Casa Branca e os democratas obtiverem maioria do Senado nas eleições haverá um forte impacto na relação bilateral entre os dois países”, afirma Stuenkel.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Beatriz Bulla, correspondente
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