Dólar cai na sexta, mas acumula alta na semana com desconforto fiscal

De Redação Estadão | 19 de fevereiro de 2021 | 18:48

O dólar voltou a acelerar o ritmo de queda no final dos negócios desta sexta-feira, após a baixa perder força no início da tarde. Com isso, conseguiu encerrar o dia abaixo de R$ 5,40, em sessão marcada por enfraquecimento da moeda americana no exterior. Mas ainda assim acabou fechando a semana, mais curta por conta do feriado de Carnaval, acumulando alta de 0,21%. No ano, sobe 3,8%, com o real no topo entre as divisas com pior desempenho perante o dólar.

Hoje, o senador Marcio Bittar (MDB-AC) apresentou no Senado uma versão do parecer da PEC Emergencial para destravar o auxílio emergencial, com votação prevista para quinta-feira (25). Mas o clima de cautela com a situação fiscal persiste nas mesas de operação, alimentado ainda pela decisão de Jair Bolsonaro de zerar o PIS/Cofins sobre o diesel e o gás de cozinha, que trará perda de receitas para o governo, o que limita qualquer movimento de melhora mais forte do real, ressaltam profissionais das mesas de câmbio. “Parece um projeto que para em pé, mas a reação do mercado mostra ceticismo grande em relação ao processo de negociação política, que apresenta grandes riscos de diluição das medidas de ajuste”, comentam os analistas da Blueline Asset Management, destacando também o ruído na questão dos combustíveis.

No final da manhã, o efeito de forte fluxo de entrada de capital por conta de uma operação de uma única empresa levou o dólar para as mínimas do dia, a R$ 5,36. No fechamento, o dólar encerrou a semana cotado em R$ 5,3854 no mercado à vista, em queda de 1,02% hoje. O dólar futuro para março caiu 0,82%, a R$ 5,3845.

Para o economista em Nova York do Natixis para América Latina, Benito Berber, o câmbio no Brasil está sob renovada pressão desde que o governo voltou a falar em criar programas sociais, na reta final de 2020, o que aumentou o temor dos participantes do mercado de que o teto de gastos fosse ser violado este ano. Um programa de auxílio temporário desde que condicionado a reformas não seria mal recebido pelo mercado. Ele observa que por ora, com nomes alinhados ao governo nas presidências do Senado e da Câmara, a perspectiva é de avanços de reformas pró-mercado, mas não sem concessões, ou o toma-lá-dá-cá, ressalta o economista.

Para os analistas do Citigroup em Nova York, os ativos, sobretudo o câmbio, só devem ter reação mais forte se o governo conseguir aprovar o auxílio com as contrapartes, sem divisão ou diluição das PECs. Essa discussão dos condicionantes já está de certa forma embutida nos preços dos ativos, por isso, a reação maior virá com a aprovação efetiva, que pode dar alívio importante ao câmbio.

Altamiro Silva Junior
Estadao Conteudo
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