Dólar sobe e vai a R$ 4,03 em dia de liquidez fraca por feriado nos EUA

De Redação Estadão | 27 de maio de 2019 | 15:05

O dólar voltou a subir, após acumular queda de 2,07% na semana passada, seguindo a valorização nesta segunda-feira, 27, da moeda americana no mercado financeiro mundial, perante divisas fortes e de países emergentes, e influenciado também por fatores técnicos. O real ficou com o pior desempenho e foi a moeda que mais perdeu valor ante o dólar nesta segunda, dia marcado por baixo volume de negócios tanto aqui quanto no exterior por causa do feriado nos Estados Unidos e Londres. No final do pregão, o dólar à vista subiu 0,50%, para R$ 4,0354.

Por conta da baixa liquidez, profissionais de câmbio destacam que agentes que tinham compromissos em dólar e precisavam comprar a moeda nesta segunda, acabaram pressionando as cotações para cima. Por isso, o real acabou sendo a moeda que mais caiu ante a divisa americana. O índice DXY, que mede o comportamento da moeda perante uma cesta de divisas fortes, como o euro e a libra, subiu 0,14%.

"O dólar aqui acompanhou hoje o mercado lá fora, mas com muito poucos negócios", destaca o operador da corretora Necton, José Carlos Amado. Por isso, ele observa que alguma operação pontual de compra de investidor com compromissos em dólar pode ter pressionado os preços para cima. No mercado futuro, o volume foi somente US$ 8 bilhões, menos da metade do giro de um dia normal. No mercado à vista, o giro somou somente US$ 625 milhões.

O Congresso retoma as atividades nesta terça-feira e o foco dos agentes novamente deve se voltar para a reforma da Previdência.

A segunda-feira foi de noticiário esvaziado no mercado doméstico, um dia após as manifestações pró-governo. A consultoria norte-americana de risco político Eurasia avalia que os atos em defesa de Jair Bolsonaro podem ser positivos para o avanço da reforma da Previdência. A casa vê chance de 80% de aprovação da reforma este ano.

Pesquisa da XP Investimentos com investidores institucionais, feita entre os dias 22 e 24, mostra que apesar dos ruídos políticos recentes, o mercado financeiro segue apostando na aprovação da reforma em 2019: 71% de investidores e gestores veem aprovação no quarto trimestre no Congresso, enquanto 19% estão mais otimistas e preveem aval das duas casas no terceiro trimestre.

Sem aprovação da Previdência, a visão é que o dólar pode testar níveis ao redor de R$ 4,50, segundo a pesquisa da XP. Já se o texto for aprovado, com impacto fiscal ficando na metade do previsto pelo governo, o dólar recuaria a R$ 3,90. No melhor cenário, se o governo conseguir aprovar com economia fiscal de R$ 1,2 trilhão, a moeda pode recuar para o patamar de R$ 3,60.