Dólar vai na contramão do exterior e recua com perspectiva para Previdência

De Redação Estadão | 28 de maio de 2019 | 15:25

A melhora do ambiente político em Brasília, e a perspectiva positiva para o avanço da reforma da Previdência, ajudou o real a se descolar de outras moedas de países emergentes e ganhar força em relação ao dólar nesta terça-feira, 28. A moeda americana subiu ante divisas fortes, como o euro e a libra, por conta de estresse no mercado internacional com a situação fiscal da Itália, e moedas como o peso mexicano e o rublo da Rússia, mas caiu 0,29% perante o real, terminando o dia em R$ 4,0235. Operadores ressaltam ainda que a entrada de um fluxo de dólares de exportadores também contribuiu para reforçar a valorização do real.

Profissionais de câmbio destacam que declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pedindo para o relator da comissão especial antecipar apresentação do texto da reforma da Previdência, aliado ao anúncio pela manhã de que os Três Poderes pretendem firmar um pacto com um conjunto de ações para retomar o crescimento, provocou o desmonte de posições mais defensivas das mesas de câmbio, estimulando a venda do dólar e algum desmonte de apostas contra o real no mercado futuro.

"O entendimento, a harmonia é positiva entre Poderes, mas o mais importante é as coisas começarem a andar", afirma o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, ex-diretor do Banco Central (BC). Se esse pacto for acompanhado de aprovação da Previdência, ele ressalta que pode ter efeito positivo no Produto Interno Bruto (PIB). O Itaú prevê aprovação da reforma no segundo semestre, com economia fiscal entre 50% e 75% do texto original (R$ 1,2 trilhão).

"No câmbio, nossos modelos apontam para potencial de apreciação do real em relação ao que tem sido observado atualmente", disse Mesquita. Ele prevê o dólar em R$ 3,80 ao final do ano. O economista ressalta que as contas externas brasileiras estão sólidas e com melhora na margem. Além disso, as empresas estão reduzindo dívidas em dólar. "O lado frágil é o fiscal."

O analista de moedas emergentes do banco alemão Commerzbank, You Na Park-Heger, afirma que permanece "cautelosamente otimista" com as chances de aprovação da Previdência, apesar dos recentes ruídos políticos entre o Planalto e o Congresso. Ela vê chance de o dólar testar níveis de R$ 3,60 no final do ano, se o governo conseguir aprovar medidas previdenciárias com impacto fiscal ao redor de 60% do previsto no texto original. "A avaliação de que a reforma é necessária para colocar a economia brasileira de volta aos trilhos deve ser a dominante entre a classe política."