Duffy revela que foi sequestrada e estuprada há 10 anos: 'sofria silenciosamente'

De Redação Estadão | 6 de abril de 2020 | 16:21

A cantora Duffy contou em seu site nesta segunda-feira, 6, detalhes sobre o sequestro e o estupro dos quais foi vítima há mais de 10 anos. Na carta de sete páginas, ela disse ainda que o trauma causado pelo crime foi o motivo que a fez se afastar da música, pois sentia medo de as pessoas ficarem perguntando a ela o que aconteceu.

A cantora revela que já considerou mudar seu nome, desaparecer do mapa e mudar de profissão para deixar o passado para trás, mas percebeu que esconder o caso a fez criar uma “intimidade destrutiva” com a violência sexual.

“Embora fosse quase inviável, eu sonhava em ter um corte de cabelo diferente, um novo nome, um namorado, e me tornar completamente esquecida para sempre. Mas, com o passar do tempo, percebi que não poderia continuar me escondendo”, escreve.

Para Duffy, era perturbador falar publicamente sobre o assunto, sobretudo porque tinha medo disso abalar sua vida amorosa. “Este não é exatamente o anúncio que eu queria antes de conhecer o amor da minha vida. Pensava que a divulgação pública da minha história destruiria totalmente minha vida emocional, enquanto esconder a minha história estava a destruindo muito mais”, reflete.

Sobre o estupro, Duffy recorda que tudo começou em seu aniversário, quando foi drogada em um restaurante. Ela continuou sendo dopada ao longo de quatro semanas em sua própria casa pelo agressor e depois viajou com ele forçadamente para outro país.

“Não me lembro de entrar no avião. Fui colocada em um quarto de hotel e o criminoso voltou a me estuprar. Lembro-me da dor e tentei ficar consciente depois do que aconteceu”, revela, sem citar o nome do agressor, que, segundo ela, afirmou que queria matá-la.

“Pensei em fugir para a cidade vizinha, enquanto ele dormia, mas não tinha dinheiro e eu tinha medo que ele chamasse a polícia por mim, por fugir, e talvez eles me localizassem como uma pessoa desaparecida. Eu não sei como eu tinha forças para suportar aqueles dias, Eu senti a presença de algo que me ajudou a permanecer viva. Voei de volta com ele, fiquei calma e, quando cheguei em casa, senti-me atordoada, como um zumbi”, recorda.

“Depois do que aconteceu, não parecia seguro ir à polícia. Senti que, se algo desse errado, ele iria me matar. Eu não podia arriscar ou correr o risco de ser notícia”. Duffy se mudou cinco vezes nos anos seguintes e revela que nunca se sentiu a salvo do estuprador.

“Eu sofria silenciosamente, em casas ou apartamentos. Nesses lugares, eu passava anos solitários para encontrar a estabilidade e me recuperar. Até que eu parei de fugir e me mudar. Eu senti que ele não poderia me encontrar na quinta casa, me senti segura. Eu me sinto segura agora”, relata.

Com o passar do tempo, a cantora buscou o apoio de uma psicóloga britânica especializada em traumas complexos e violência sexual, que a ajudou a lidar emocionalmente com as memórias.

Lidando com o trauma

Duffy analisa que, por muito tempo, deixou de ser quem era antes do crime e se afastou de pessoas queridas para se esconder. “O estupro é como um assassinato vivo. Você está vivo, mas morto. Demorou um longo tempo para eu recuperar os pedaços despedaçados de mim. Enfrentei uma experiência profundamente desumana, e somente a humanidade pode curar isso”, diz.

Ela reforçou ainda que o isolamento por conta do coronavírus pode ser um fator que reforce as dores de muita gente, mas deu um conselho para as pessoas conseguirem lidar com as dificuldades atuais.

“Se você está lendo isso e está triste, meu encorajamento é que…. para conhecer a dor, você deve primeiro saber como amar. Somente a ausência de amor causa dor. Então vá encontrá-lo. Busque amor em tudo, mesmo em uma xícara de chá”, aconselhou.

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