Em 1ª edição, Cinefoot Mulheres busca dar mais visibilidade ao futebol feminino

De Redação Estadão | 5 de novembro de 2020 | 08:44

Um festival de cinema, mas também um manifesto. É assim que o Cinefoot Mulheres espera ser visto, como define Daniela Fernandes, sua diretora. O evento audiovisual inicia a sua primeira edição nesta quinta-feira, com encerramento no domingo, tendo surgido com o intuito de contribuir para a ampliação da visibilidade do futebol feminino. Serão 9 sessões, com a exibição de 3 longas-metragens e 13 curtas de 4 países diferentes para abordar a história da modalidade.

Além disso, haverá um seminário e a disponibilização outros produtos culturais para ajudar no fomento do futebol feminino, apostando no seu desenvolvimento a partir da visibilidade a da representatividade. “É um momento para trazer à tona a história dessas mulheres. O país do futebol não é o país do futebol dos homens, é também o das mulheres”, afirmou Daniela ao Estadão.

Ainda que independente, o Cinefoot Mulheres é um desdobramento do Cinefoot. Um dos pioneiros e principais festivais do mundo quando se pensa na união da paixão entre o que se passa nos gramados e nas telas, ele surgiu em 2010. E assim como o Cinefoot foi criado na sequência de uma edição histórica da Copa do Mundo, a primeira e única realizada até agora no continente africano, foi também do principal torneio da modalidade que veio a inspiração para que o futebol feminino ganhasse uma versão exclusiva no Brasil.

O Mundial de 2019, afinal, teve audiência relevante e ficou marcado por feitos como o de Marta, que se tornou a jogadora com mais gols na história das Copas, em seus diferentes gêneros. “O Cinefoot sempre buscou dar visibilidade para as mulheres. E o ano passado foi muito marcante com a Copa, com uma divulgação e visibilidade que o futebol feminino nunca teve”, relembrou Daniela.

A partir daí se iniciou um processo de avaliação da presença feminina na produção cinematográfica sobre o futebol. E a participação relevante confirmou, na visão de Daniela, a visibilidade para a realização do evento, que agora ganha as telas, a partir de uma produção expressiva. “Vi que 72% dos filmes que recebemos têm participação das mulheres, tanto na direção, como em personagens ou na equipe técnica principal. Ficamos maravilhados com estes números e com o cenário de mobilização pelo futebol feminino”, disse.

A programação do festival apresenta um recorte de 10 anos da filmografia do Cinefoot, embora não se resuma apenas a ele, apresentando produções vão desde 2010 a até algumas inéditas. E embora online, até pelas medidas restritivas impostas pela pandemia do coronavírus, a primeira edição do Cinefoot Mulheres ocorre a partir de Belo Horizonte.

Mas o plano, como explica a diretora do festival, é que seja levado para outras cidades nos próximos anos, para “contar a história de luta de outras mulheres”. “A ideia é criar um banco de memórias. Mostrar o quanto o passado é significativo para o presente e para o futuro. E honrar a memória dessas mulheres”, comentou.

PARA ALÉM DO CINEMA – Com a preocupação sobre o registro histórico do futebol feminino, que esteve proibido de ser praticado por cerca de 40 anos no País, foi produzido um caderno de memórias, que já está disponível no site do Cinefoot Mulheres, para contar a trajetória da modalidade em Minas Gerais, tema também abordado em um podcast do festival.

O evento ainda terá um seminário com a participação de figuras relevantes do futebol feminino como Aline Pellegrino, coordenadora da modalidade na CBF, e Emily Lima, hoje à frente da seleção do Equador, para debater os desafios e possibilidades da modalidade, além de abordar a sua história.

“Se você não dá visibilidade, os patrocinadores não vão dar importância. Se você não exibe os jogos, não cria referência para essa geração. São passos necessários para o país do futebol, que ainda é muito machista”, afirmou Daniela.

O festival, inclusive, conta com uma parceria com a ONU Mulheres, que ajudou a construir o projeto e é parceira na organização dos debates. “As mesas com a ONU Mulheres falam das limitações. As barreiras são tão grandes que muitas vezes as mulheres desistem de jogar. Então vamos discutir essas barreiras”, destacou a diretora do Cinefoot Mulheres.

Cristiane, um dos grandes nomes da história da seleção, e Lina Chamie, renomada diretora de cinema, prepararam aulas especiais para o festival. “Estamos tentando cercar de todos os lados possíveis para a construção de um futebol feminino que tenha mais investimento. A gente sabe que é uma pontinha, mas espera que faça diferença daqui a alguns anos”, acrescentou Daniela.

O festival é gratuito, com as sessões sendo exibidas pela plataforma de transmissão Looke. Já as mesas terão transmissão pelo canal no YouTube do Museu do Futebol.

Confira a programação da 1.ª edição do Cinefoot Mulheres:

05/11 – Quinta-feira
19h – Abertura Cinefoot Mulheres (Museu do Futebol)
20h – Sessão 1 – Abertura (Looke)

06/11 – Sexta-feira
10h – Sessão 2 – Dente de Leite (Looke)
14h – Mesa ONU Mulheres (Museu do Futebol)
17h – Sessão 3 – Navegar é preciso (Looke)
19h – Sessão 4 – Ela faz História (Looke)
20h – Sessão 5 – Minas do Futebol (Looke)

07/11 – Sábado
14h – Sessão 6 – Virando o Jogo (Looke)
17h – Sessão 7 – Mineiras F.C. (Looke)
19h – Mesa Esporte pela Democracia (Museu do Futebol)

08/11 – Domingo
10h – Sessão 8 – Dente de Leite (Looke)
18h – Encerramento/Homenagens (Museu do Futebol)
19h – Sessão 9 (Looke)

Leandro Silveira
Estadao Conteudo
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