Em cerimônia restrita, corpo de Vadão é sepultado em Monte Azul Paulista

De Redação Estadão | 26 de maio de 2020 | 17:18

O corpo de Oswaldo Fumeiro Alvarez, o Vadão, foi sepultado na manhã desta terça-feira na cidade de Monte Azul Paulista. A cerimônia foi restrita e contou com a presença apenas da família e de amigos mais próximos, respeitando todas as orientações dos profissionais de saúde para evitar a propagação novo coronavírus.

A emoção tomou conta da cerimônia, em uma demonstração do carinho pelo ex-treinador de Corinthians, São Paulo e seleção brasileira feminina. Ele era querido até mesmo entre jogadores, comissão técnica e jornalistas. A família optou por não dar entrevistas durante o sepultamento.

Vadão, de 63 anos, faleceu na última segunda-feira. O ex-treinador não resistiu ao tratamento de um câncer no fígado, que acabou se espalhando para outros órgãos. “É uma gigante tristeza para o Atlético Monte Azul e para toda população monteazulense. Vadão era um exemplo de pessoa e profissional, um cara do bem, ético, humilde, um ser da melhor espécie possível, deixou um legado maravilhoso para o futebol brasileiro, nunca mais será esquecido”, falou Marcelo Cardoso, presidente do Monte Azul. “Estive sim no sepultamento que ocorreu nesta manhã. Foi bastante comovente, uma tristeza sem fundo”, completou.

Ele começou a sua carreira como meia esquerda nas categorias de base do Guarani e rodou por clubes como Noroeste, Catanduvense e Botafogo de Ribeirão Preto. Ao mesmo tempo, ele se formou em Educação Física e acabou aceitando o convite para ser preparador físico da Portuguesa. Iniciou a carreira de treinador no Mogi Mirim por convite do histórico presidente Wilson Barros. Lá foi responsável por montar o “Carrossel Caipira” no início dos anos 1990.

Este time, na época, usava um esquema tático parecido com a da seleção da Holanda, com troca de posições entre os jogadores, que revolucionou o futebol em 1974 na Copa do Mundo da Alemanha sob a batuta de Johan Cruyff. O Mogi Mirim contava ainda com bons jogadores como o trio ofensivo formado por Rivaldo, Leto e Válber, além do zagueiro Capone, que executava bem o papel de líbero.

O técnico ainda comandou Guarani, XV de Piracicaba, Athetico-PR, Corinthians, São Paulo, Ponte Preta, Bahia, Goiás, Sport, dentre muitos outros. Ele foi campeão do Torneio Rio-São Paulo em 2001 pelo São Paulo com um time jovem e que tinha como destaque o meia Kaká, lançado por ele aos 16 anos.

Foi vice-campeão brasileiro da Série B em 2009 e vice do Campeonato Paulista pelo Guarani em 2012. Ele teve cinco passagens pelo clube de Campinas, em um total de 204 jogos. É tratado com idolatria também pela arquirrival Ponte Preta, time o qual dirigiu em quatro oportunidades.

Seu último trabalho foi na seleção brasileira feminina. Deixou o comando em meados do ano passado após o Mundial na França. Em suas duas passagens, Vadão conquistou dois sul-americanos (2014 e 2018), além do quarto lugar nos Jogos Olímpicos do Rio-2016.

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