Em SP, Covas diz não 'vender ilusões'; Boulos defende 'justiça social'

De Redação Estadão | 16 de novembro de 2020 | 11:27

Uma fala do prefeito Bruno Covas (PSDB), que tenta a reeleição, na noite deste domingo, 15, após o fim da apuração do primeiro turno, quando ele disse que combateria o “radicalismo”, numa referência a Guilherme Boulos (PSOL), voltou ao debate na manhã desta segunda, 16, em entrevistas dos dois candidatos que disputarão o segundo turno em São Paulo.

Boulos relacionou a ideia de radicalismo ao fato de haver 25 mil pessoas em situação de rua em São Paulo. “Para mim, o que é radical é que na cidade mais rica da América Latina tenha gente que revire o lixo para comer”, disse em entrevista à TV Bandeirantes. “O que defendo é justiça social e que a Prefeitura governe para todos com um olho especial para aqueles que estão abandonados. Isso não é radicalismo. O legado do PSDB são os esquemas, a máfia da merenda, do Rodoanel, do Metrô. A pessoa precisa ter mais coerência antes de falar uma coisa dessa.”

Também em entrevista à Bandeirantes, Covas disse lamentar a “exploração da miséria e da situação em que vivem essas pessoas para se ganhar dividendos eleitorais”, e destacou o “tratamento humanizado” que sua gestão vem dando ao problema e a necessidade de uma retomada econômica pós-pandemia.

Perguntado sobre o que exatamente era radical na campanha de Boulos, o prefeito respondeu que sua campanha não está “vendendo ilusões”. “Temos um histórico de compromisso com a lei, a ordem e a democracia e de respeito a todas as religiões. É o currículo dos candidatos que vai ser apresentado. Estou aqui para falar das nossas propostas e ideias. Essa não é uma campanha para ficar falando mal dos outros candidatos. Deixo isso para que a população possa perceber nos discurso e no histórico de cada um”.

“A população mostrou que não quer fazer guerra de padrinho político. Não se trata de mostrar quem tem os melhores apoios. A população quer eleger o prefeito de São Paulo e focar nos temas da cidade”, disse Bruno Covas. “E não tenho problema nenhum em falar do apoio do governador João Doria (PSDB), um apoio que muito me orgulha”, completou, destacando a ação conjunta entre Prefeitura e Governo do Estado para a permanência do Grande Prêmio da Fórmula 1 na cidade.

Covas preferiu não detalhar o próximo passo da campanha: a busca pelo apoio dos candidatos derrotados. Disse apenas que sua equipe de coordenação se reúne ainda pela manhã para estabelecer a estratégia com relação a novas alianças.

Questionado em entrevista à rádio Jovem Pan se gostaria de ter o apoio do presidente Jair Bolsonaro, Covas disse acreditar que ele ficará “neutro” neste segundo turno. “O resultado do primeiro turno mostrou que não deu certo para o presidente se intrometer na cidade de São Paulo.”

Já Boulos disse que neste segundo turno vai buscar o apoio de todos os que querem mudança em São Paulo, ao ser perguntado se procuraria Celso Russomanno (Republicanos). “Não me parece que o Celso Russomanno queira qualquer tipo de mudança. O partido dele estava no governo de Bruno Covas até três meses antes da eleição. Mas a enorme maioria votou ontem por mudança. Vou dialogar com esses eleitores, independentemente de terem votado em mim ou não no primeiro turno, e vou dialogar com aqueles que de fato não querem que a Prefeitura de São Paulo seja um puxadinho de João Doria.”

Guilherme Boulos, que já tem o apoio de Jilmar Tatto (PT), comentou que o que quer, neste segundo turno, é construir uma aliança para enfrentar a desigualdade social e lutar pela democracia. “Uma frente daqueles que não querem que João Doria continue dando as cartas na cidade. Neste primeiro turno, derrotamos Bolsonaro e a máquina do governo federal que tentou interferir nas eleições. No segundo turno, vamos derrotar o João Doria. Todos aqueles que concordam com o nosso programa serão muito bem-vindos”, disse o candidato – que vai procurar, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, outras lideranças nacionais para sua campanha.

Maria Fernanda Rodrigues
Estadao Conteudo
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