EUA: médico libera Trump para eventos públicos mas não comenta resultado de teste

De Redação Estadão | 11 de outubro de 2020 | 12:22

O médico da Casa Branca, Sean Conley, declarou na noite de ontem que o presidente Donald Trump não corria mais o risco de transmitir o coronavírus, mas não disse explicitamente se Trump havia testado negativo para o vírus. O diagnóstico veio enquanto o presidente se preparava para retomar os comícios de campanha e outras atividades.

Em memorando divulgado na noite de ontem pela Casa Branca, Conley disse que Trump atendeu aos critérios do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CNC, na sigla em inglês) para interromper o isolamento com segurança e que, pelos “padrões atualmente reconhecidos”, ele não era mais considerado um risco de transmissão.

O texto, porém, não informa se Trump testou negativo para o vírus. Mas testes de laboratório sensíveis – como o teste de PCR citado nas declarações do médico – detectam vírus em amostras de cotonete retiradas do nariz e da garganta. William Morice, médico que supervisiona os laboratórios da Clínica Mayo, disse no início desta semana que, usando os testes de PCR, a equipe médica do presidente poderia hipoteticamente medir e rastrear a quantidade de vírus nas amostras ao longo do tempo e observar a redução da carga viral.

Alguns especialistas médicos duvidam que Trump pudesse ser declarado livre do risco de transmitir o vírus tão cedo. Apenas 10 dias desde o diagnóstico inicial de infecção, não havia como saber com certeza se alguém não era mais contagioso, afirmam.

Segundo Albert Ko, médico especialista em doenças infecciosas e chefe do departamento da Escola de Saúde Pública de Yale, a Casa Branca parecia estar seguindo as diretrizes do CDC para quando é apropriado encerrar o isolamento após casos leves a moderados de covid-19. Mas Ko alertou que aqueles que tiveram casos graves da doença devem se isolar por 20 dias e Trump foi tratado com o esteroide dexametasona – medicamento que normalmente é reservado para pacientes com covid grave.

Ko acrescentou que a Casa Branca emitiu declarações “complicadas” sobre a saúde de Trump que deixaram muitas perguntas sem resposta, incluindo se o presidente já teve pneumonia. O memorando afirmava que Trump havia chegado ao hospital dia 10 e, desde o início dos sintomas, estava sem febre por mais de 24 horas e que todos os sintomas haviam melhorado.

As diretrizes do CDC observam que a maioria das pessoas não exige testes para decidir quando podem ficar perto de outras pessoas. O médico ressalta ainda que as pessoas que tiveram covid-19 podem continuar testando positivo por semanas ou mais depois de não estarem mais infectadas.

Fabiana Holtz, com Associated Press
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