Governo propõe regras para diminuir circulação de pessoas na RMC

De lucianpichetti | 17 de junho de 2020 | 15:46
Foto: AEN

O governador Ratinho Junior se reuniu nesta quarta-feira (17), por videoconferência, com os prefeitos da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec). Ele apresentou algumas deliberações sanitárias que o Governo do Estado deve adotar, via decreto, a partir de sexta-feira (19) para reduzir a propagação do novo coronavírus.

As medidas propostas deverão diminuir a circulação de pessoas e evitar o colapso nos leitos disponíveis para atendimento a pacientes infectados pela Covid-19 nas redes pública e privada. O encontro contou com a presença do secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, e do diretor-presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, Gilson Santos.

Medidas

Entre as medidas em estudo estão escalonamento das atividades comerciais para evitar aglomerações em horários específicos; escalonamento dos funcionários terceirizados das administrações municipais; fechamento dos shopping centers aos finais de semana; proibição do ingresso de crianças menores de 12 anos em supermercados; reforço na orientação de isolamento social para idosos com mais de 60 anos; proibição de consumo de bebidas alcoólicas nas ruas depois das 22 horas; e proibição de aglomerações em pátios de postos de combustíveis, praças e parques.

O governador destacou que o Paraná chegou perto dos 100 dias de pandemia com controle na transmissão, no número de leitos disponíveis e manutenção das atividades essenciais. Ele também pontuou que o aumento no número de testes do padrão ouro (RT-PCR) e da distribuição de mais de 300 mil testes rápidos aos municípios ampliou o número de casos identificados e que esse mapeamento indica a necessidade de adotar novas medidas sanitárias.

“Nos últimos 30 anos o Estado alcançou 1.200 leitos de UTI entre hospitais públicos e filantrópicos. Vamos fechar a semana que vem com cerca de 750 novos leitos e mais três hospitais regionais. Isso mostra a organização da Secretaria da Saúde e das secretarias municipais”, destacou Ratinho Junior.

Ele afirmou que, mesmo assim, não é possível atender todo mundo sem controle e distanciamento social, que é o único método disponível. “Esse é um problema comum e temos que pensar ele de forma coletiva e estratégica. É um trabalho pontual para a Região Metropolitana de Curitiba nesse momento, mas ele pode ser ampliado para outras regiões do Estado”.

A 2ª Regional de Saúde, que engloba 29 municípios da Região Metropolitana de Curitiba, é a que apresenta maior índice de casos (3.413) e de óbitos (135), segundo o boletim epidemiológico publicado nesta terça-feira (16). A macrorregião Leste também tem 74% de taxa de ocupação nos 230 leitos de UTI disponíveis para a Covid-19 na rede pública.

“Temos que cadenciar as decisões para chegar ao final dessa maratona. Curitiba sozinha não vai suportar toda a demanda por conta da relação comercial dos municípios vizinhos com a capital. Temos um grande problema no transporte público, queremos diminuir a circulação nessa região. Os municípios têm que nos ajudar a tomar uma decisão conjunta. Não podemos perder o ritmo que estamos adotando”, complementou Ratinho Junior. “Não adianta Curitiba fechar e os outros municípios não. Nossa missão é salvar o máximo de vidas”.

Precaução

Segundo o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, a decisão conjunta para a Região Metropolitana de Curitiba será fundamental para manutenção da qualidade no atendimento dos hospitais para a população. Ele disse que o Paraná vive o momento mais delicado da pandemia desde que os primeiros casos foram detectados, em 12 de março, e que a evolução da pandemia é dividida em dois momentos no Paraná: uma realidade de 75 dias e uma nos últimos 15 dias.

“Conseguimos evitar a transmissão descontrolada do vírus com as interrupções das atividades e da mobilidade. Mas depois tivemos grandes movimentos com auxílio emergencial do governo federal, Dia das Mães, Dia dos Namorados. Esse contexto está repercutindo nos números, passamos a uma média mais alta de novos casos por dia”, afirmou Beto Preto.

“A tendência é de espiral ascendente. Se não tivermos as medidas necessárias de isolamento domiciliar e distanciamento social vamos continuar todos os dias dando maiores possibilidade ao contágio”.

O secretário citou que o Paraná já tem 660 leitos de UTI e 1.126 leitos de enfermaria disponíveis para enfrentar a Covid-19, e que novos leitos serão ativados na macrorregião Leste, principalmente no Hospital do Rocio, em Campo Largo.

“Estancamos o movimento nas universidades e escolas, uma queda de cerca de 20% na mobilidade das pessoas, mas só isso não basta. Estamos estudando no Comitê de Operações e Emergência em Saúde, e é importante que esse decreto seja um guarda-chuva para a Região Metropolitana”, acrescentou Beto Preto. “Todas as nossas orientações já são restritivas. Mesmo assim estamos vendo a circulação e ampliação de casos graves. É hora de agir”.

Repercussão

A minuta do decreto estadual será encaminhada para deliberação interna na Assomec antes da publicação. A ideia é construir um texto coeso em conjunto com os interesses específicos das prefeituras municipais.

Colaboração AEN

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