Guedes: 'Nós somos uma aliança de centro-direita, não vamos aumentar impostos'

De Redação Estadão | 13 de novembro de 2020 | 14:01

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira, durante o 39º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex) que o governo atual, por ser uma aliança de centro-direita, não vai aumentar impostos.
Ele criticou quem defende uma mudança no teto de gastos, o que é uma percepção de “fura teto” com apelos políticos. Os defensores da mudança do teto, sugerem como contrapartida um aumento de impostos para fazer frente a novos gastos sociais, com o que o ministro diz não concordar.

“Nós somos uma aliança de centro-direita e não vamos aumentar impostos”, reiterou o ministro

De acordo com ele, governos anteriores permitiram a expansão descontrolada de gastos públicos e causaram a disfuncionalidade e mau funcionamento da economia.

Guedes também disse que vai abrir a economia brasileira, que ficou fechada por 20, 30 anos. Sobre novos acordos comerciais, ele disse que o governo está conversando com Japão, Canadá e Coreia do Sul.

“O Brasil está virado para a Ásia”, disse ele, reforçando que com a combinação da queda da Selic com a alta do câmbio, além do controle dos gastos, as exportações têm aumentado. Ele acrescentou que o Brasil colocou um brasileiro na presidência do Banco dos Brics Marcos Troyjo para justamente ajudar a construir uma estrutura transnacional para o Brasil. “Vamos trazer gás da Argentina e reduzir em 12 dias as viagens para a Ásia. Tenho dito que vamos dançar como todo mundo porque ficamos fechados por 30 anos”, comentou.

Cenário fiscal

O ministro da Economia falou sobre economia, de modo geral, durante a 39ª Enaex, mas foi para o fiscal que ele dedicou mais tempo da sua fala. “Chegamos e falamos que nosso inimigo era o descontrole de gastos públicos”, lembrou.

Guedes também aproveitou o espaço para alfinetar economistas “de alto pedigree”, nas palavras dele, que têm, também, segundo ele sugerido mudanças no teto de gastos.

De acordo com ele, são representantes da social democracia que permitiram o excesso de gastos que levou o fiscal do País à atual situação. “Nós não vamos aumentar impostos. Então vamos precisar do teto de gastos. O teto virou símbolo, a bandeira contra excesso de gastos. Vamos precisar dele”, reforçou o ministro.

Ele disse que a proposta do governo é o de transformar o País, como a democracia exige e levar o Brasil a ser um Estado social. Isso, de acordo com ele, passa pela transformação do funcionalismo público.

“Pedimos a contribuição do funcionalismo de não pedir aumento de salários durante a pandemia neste e no próximo ano porque tivemos que gastar quase 10% do PIB em medidas de combate à pandemia”, disse Guedes.

De acordo com ele, só por não ter concedido aumento aos funcionários públicos, nas três esferas, o País economizou R$ 150 bilhões. Se for aprovada a reforma administrativa, de acordo com Guedes, serão economizados mais cerca de R$ 450 bilhões. “Quebramos a dinâmica explosiva com o controle de gastos e o Brasil estava colhendo os frutos dessa mudança até a chegada da pandemia”, comentou.

Amanda Pupo e Francisco Carlos de Assis
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