Harrison Ford elogia Greta Thunberg e critica política de imigração

De Redação Estadão | 6 de fevereiro de 2020 | 13:21

O envolvimento de Harrison Ford com a defesa do meio ambiente não é parte de uma modinha. O ator, famoso por interpretar Han Solo na série “Star Wars” e o personagem-título na franquia “Indiana Jones”, batalha pela preservação há décadas.

Ele derramou-se em elogios a Greta Thunberg em coletiva de imprensa na Cidade do México sobre seu novo filme, “O Chamado da Floresta”, que estreia no dia 20 no Brasil e é inspirado no livro “Chamado Selvagem”, de Jack London. “Aplaudo a Greta por seu ativismo e por seu papel em representar os interesses dos jovens. Admiro sua coragem e firmeza e sua capacidade de se expressar”, disse o ator de 77 anos.

Em “O Chamado da Floresta”, ele é John Thornton, um homem tomado pelo luto que se refugia numa região no noroeste da América do Norte em plena corrida do ouro no século 19. Lá, ele fica amigo de um cão, Buck. Juntos, os dois vão encontrar seus verdadeiros propósitos de vida. “Fazer o filme não mudou em nada minha relação com a natureza”, disse. “Eu acho que o homem é parte da natureza, não está acima dela. Nós nos entendemos melhor quando nos vemos como parte do mundo natural e responsáveis por ele.”

Ford também falou com firmeza sobre a política de imigração dos Estados Unidos na fronteira com o México, que tem afetado milhares de latino-americanos. “Estamos enfrentando questões urgentes nos Estados Unidos e estamos trabalhando para resolvê-las. A política de imigração é ridícula. Necessitamos de uma reforma completa. Precisamos convidar pessoas a vir para nosso país, não afastá-las. Esta é a história da América, sempre dependemos da imigração.”

Mas também houve tempo para falar de cinema, claro, como sua volta ao arqueólogo de chapéu fedora e chicote pela quinta vez – “Indiana Jones 5” deve estrear ano que vem. “Me pareceu uma boa ideia caso tivéssemos um bom roteiro. E acredito que estamos muito perto de ter o roteiro que queremos. Estou muito empolgado em voltar ao personagem”, disse. “Ainda gosto muito de fazer meu trabalho e sou grato de poder continuar.”

Ele também contou como foi que acabou conquistando outro de seus papeis icônicos, Han Solo, da saga “Star Wars”. “Eu já conhecia o George Lucas porque tinha feito um pequeno papel em ‘Loucuras de Verão’. Mas eu tinha uma estratégia naquela época: eu me tornei carpinteiro e alternava trabalhos como ator e na carpintaria. Era uma maneira de não precisar fazer qualquer papel que aparecesse. A carpintaria era uma forma de colocar comida na mesa.”

Um dia, um amigo pediu para ele instalar uma entrada elaborada no escritório de Francis Ford Coppola. Harrison Ford disse que faria, mas só se fosse à noite, porque não queria trabalhar com gente entrando e saindo – na verdade, não queria ser carpinteiro no escritório de um diretor de cinema.

Trabalhando tarde uma noite, entram George Lucas e Richard Dreyfuss para começar os testes para “Star Wars”. “Então acho que eu estar lá foi um feliz acaso”, disse Ford. Os dois pediram a ele para contracenar com outros atores no teste, como um favor. Ele topou. “No fim do processo, me perguntaram se eu queria fazer o papel.” E assim nasceu Han Solo.

Mariane Morisawa, especial para o Estado
Estadao Conteudo
Copyright © 2020 Estadão Conteúdo. Todos os direitos reservados.

Deixe um comentário