Hospital de Campanha Anhembi: um espaço onde óbitos ainda são exceção

De Redação Estadão | 2 de maio de 2020 | 16:00

O Hospital Municipal de Campanha do Anhembi foi pensado para receber pacientes de baixa e média complexidade: pessoas que precisam ficar isoladas e com a oxigenação do corpo monitorada, mas que não precisam de unidade de terapia intensiva (UTI).

O complexo, de 76 mil metros quadrados, está ocupado com divisórias para abrigar quartos coletivos, e uma das perguntas entre os profissionais é se (ou quando) o lugar vai lotar – a capacidade total é de 1.410 leitos e há estoque de material para até seis meses.

O local está sob responsabilidade do Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), uma das organizações sociais que gerenciam hospitais públicos da cidade. Há um segundo hospital dentro do complexo, sob responsabilidade da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), com outros 410 leitos. Oficialmente, é um mesmo hospital, mas na prática são dois, gerenciados de forma diferente. O da SPDM fica no do Palácio das Convenções do Anhembi, ao lado do pavilhão.

Há uma semana, ele passou a receber pessoas vindas diretamente dos postos de saúde. Antes, o encaminhamento vinha de hospitais, pois havia exigência de exames prévio. A mudança, segundo explicou o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, se deu para evitar agravamentos. “No protocolo anterior, o paciente que tinha sintomas leves era orientado a se isolar em casa e retornar ao atendimento caso piorasse. Aconteceu que muitas das pessoas que retornavam já vinham em estado muito grave, precisando de UTI.”

Agora, a Prefeitura quer acompanhar de perto também os casos leves, monitorando a oxigenação do sangue e reforçando o acesso ao gás, para evitar que eles também venham a precisar de UTIs, que neste momento beiram a taxa de ocupação de 80%. Ao descer da ambulância, há uma espécie de triagem de admissão. “Já sabemos as condições em que os pacientes chegam e há os protocolos”, explica a gerente médica Tassiana. É um procedimento mais para checagem. “Quando chega, já tem um número de leito reservado para ele”, continua a médica.

Perto dos portões ficam os leitos de estabilização, unidades com os equipamentos de uma UTI para atender urgências. Os quartos têm mais equipamentos e há separação entre as camas. Os pacientes não ficam internados ali. Se vão para os leitos de estabilização, o hospital notifica a Prefeitura, que passa a procurar por uma vaga em UTI em outra unidade hospitalar, do Município ou do governo do Estado.

Desse modo, o número de mortos no hospital é baixo quando comparado ao restante da rede. Até a última quinta-feira, 29, seis pacientes haviam morrido no Anhembi. Ou os pacientes têm alta ou são transferidos.

Por turno, no hospital, há um médico para cada 20 leitos comuns e um para cada 8 leitos de estabilização. Entre eles, há uma ala para exames que tem tomografia, raio X e exame de sangue. “Uma das vantagens é que conseguimos fazer todos os exames aqui”, afirma a enfermeira Elizabete Mitsue Pereira, de 41 anos, gerente de projetos do Iabas, destacando que não é preciso depender de clínicas externas, como ocorre em alguns dos hospitais comuns. “O processo é mais rápido.” Os padrões criados ali estão sendo exportado para outros hospitais de campanha, por meio de parcerias.

No fundo do pavilhão, ficam os setores de almoxarifado e a farmácia. E há ali a cloroquina, para ser usada seguindo critérios federais. “Como temos de informar todos os riscos, as reações, a maioria dos pacientes não quer”, afirma a gerente médica Tassiana, que acompanhou a reportagem durante todo a visita ao local.

Bruno Ribeiro
Estadao Conteudo
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