Howard Cummings traça o horizonte da 3ª temporada de 'Westworld'

De Redação Estadão | 29 de abril de 2020 | 09:00

A paisagem árida e sem vegetação do faroeste deu lugar a um novo mundo na terceira temporada de Westworld. A produção da HBO também deixou as batalhas xoguns do período Edo japonês e o tiroteio empoeirado das pistolas no Velho Oeste para avistar um futurismo que desafia a humanidade. “Agora, estamos diante de um futuro cercado por edifícios do mundo todo”, atesta o designer de produção Howard Cummings, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, por telefone.

Apesar de ter abocanhado poucos prêmios em suas temporadas anteriores, a maioria em categorias de atuação, a série concebida por Jonathan Nolan e Lisa Joy antecipa assuntos mais do que contemporâneos. O transumanismo – a capacidade de fundir tecnologia ao corpo na criação de super-humanos – e a confecção de androides sintéticos, os chamados anfitriões, são o pano de fundo de uma trama que lembra a ousadia da série Years and Years (2019), também da HBO, em parceria com a BBC.

Na primeira temporada de Westworld, um parque de diversões futurista ambientado no Velho Oeste norte-americano é apresentado. Destinado a visitantes que podem pagar quantias milionárias, não é nada como Parque dos Dinossauros, por exemplo, já que os anfitriões se confundem entre humanos. Por meio do uso de uma consciência artificial, o parque oferece a chance de viver uma aventura “real” sem correr danos físicos.

Resumindo, o visitante não morre. Em contrapartida, pode praticar crimes pelo Velho Oeste, de modo recreativo, lutar com espadas no Japão e, matar e violentar outros anfitriões. Os androides afetados voltam às oficinas, são reparados e enviados de volta ao parque.

A temporada seguinte abriu-se a outra parte do parque, que simulava a Idade Dourada do Japão, em que o florescimento da cultura contornava os rituais, as roupas e a arquitetura. “O final já demonstrava que esses cenários deveriam ser deixados para trás, preparando as boas-vindas ao mundo dos humanos, tendo ao centro a cidade de Los Angeles, no ano de 2058”, conta Cummings.

É ele quem organiza esse novo ecossistema, como um deus cria seu pequeno universo. Sem fumaça saindo dos esgotos, nem a profusão néon que lembra a distopia de Blade Runner, o futurismo dessa nova Los Angeles foi imaginado a partir de joias da arquitetura mundial, de Cingapura à Espanha.

Cummings explica que o ano 2058 traz um mundo que superou debates como as questões climáticas e a poluição dos automóveis, temas que atualmente, quase 40 anos antes da narrativa de Westworld, incendeiam as redes sociais, comentados por celebridades e políticos. “A natureza está mais próxima das construções, fundindo o verde com os edifícios. Tinha de ser o oposto do filme de Ridley Scott, sem as ruínas e a destruição”, conta. “Essa Los Angeles também tem veículos autônomos, e menos trânsito. Há mais integração entre os prédios, a vegetação e espaço para as pessoas caminharem.”

Estrelada por uma constelação, a série tem representante nacional no elenco. Rodrigo Santoro segue nesta terceira temporada em uma missão anarquista, como o pistoleiro Hector. As anfitriãs Dolores e Maeve, interpretadas por Evan Rachel Wood e Thandie Newton, e a acionista Charlotte, no papel de Tessa Thompson, se dividem em várias frentes na condução de um plano perigoso para todos.

Dolores, em sua vingança sem limites, ganha a ajuda de Caleb, estreia de Aaron Paul na temporada. O encontro dos dois se dá entre as praças de Los Angeles, que agora reúne uma combinação com elementos de Cingapura. Já os escritórios da Delos – a estrutura em forma de concha, rodeada por um espelho dágua – é uma combinação da Cidade das Artes e Ciências, de Santiago Calatrava, em Valência, com a imaginação futurista de Cummings. “Fizemos muitas sequências de fotos. Algumas partes foram mantidas e outras recriadas digitalmente ao estilo dessa nova época”, descreve ele.

Com gravações que levaram cerca de duas semanas, e uma média de 35 locações, para cada episódio, a série esbanja a virtualidade da narrativa na sua estrutura. Cummings diz que muitas inspirações vieram dos games. A saga de Caleb por Los Angeles não deixa de lembrar as aventuras ilícitas de Grand Thetf Auto, o famoso GTA, ou as cidades conectadas de Watch Dogs. “Ele usa um aplicativo suspeito que solicita serviços criminosos em troca de dinheiro.”

Ao mirar o mundo, Westworld traz uma cena sobre um aplicativo que pode burlar as eleições presidenciais a favor do mandatário do Brasil daquele ano. “É um mundo que dispõe de ferramentas para garantir a segurança total, mas que coloca sociedades sob vigilância.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Leandro Nunes
Estadao Conteudo
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