Ibovespa mantém bom humor com cenário político e tem 4ª alta seguida

De Redação Estadão | 30 de maio de 2019 | 15:15

A melhora da perspectiva de aprovação da reforma da Previdência garantiu a quarta alta consecutiva ao Índice Bovespa, que fechou aos 97.457,36 pontos, com ganho de 0,92%, nesta quinta-feira, 30. A bolsa brasileira teve fôlego para subir mesmo com desempenho hesitante das bolsas de Nova York e a apresentação de um projeto substitutivo do PL à proposta de reforma do governo, que gerou alguma cautela no período da tarde.

O PL (ex-PR), partido do Centrão, apresentou um projeto de reforma da Previdência alternativo ao encaminhado pelo Executivo. O texto acaba com a possibilidade de capitalização e permite um gatilho que autoriza o governo a adotar uma arrecadação nos moldes da antiga CPMF, no limite de 0,2%. A proposta, assim como a do governo, tira as regras da Previdência da Constituição facilitando mudanças futuras. O PL é o partido do presidente da Comissão Especial que analisa a reforma na Câmara, deputado Marcelo Ramos (AM). Há duas semanas, Ramos disse que havia um movimento de partidos do Centrão de apresentar um substitutivo ao texto enviado pelo governo, de forma a garantir que o projeto tivesse o “DNA da Câmara”.

“A notícia contribuiu para uma desaceleração do Ibovespa à tarde, à medida que se especulou sobre a possibilidade de uma desidratação maior da reforma. Esse é o maior receio do investidor neste momento, e não quem será o ‘pai’ da reforma”, disse um operador depois que o índice reduziu o ritmo de alta, que na máxima chegou a 1,42%, aos 97.939,08 pontos).

Segundo Karel Luketic, analista-chefe da XP Investimentos, a quinta-feira não chegou a apresentar grandes novidades e o mercado manteve o tom mais otimista que prevaleceu nos últimos pregões. “A alta reflete a melhora do clima político dos últimos dias, que trouxe o Ibovespa do patamar abaixo dos 90 mil pontos (dia 17) para o dos 97 mil. Temos agora uma retórica mais otimista, embora estejamos ainda longe das respostas”, disse.

Pela manhã, o destaque ficou por conta do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que apontou queda de 0,2%. Apesar de o número ter ficado dentro do previsto, a confirmação da fraqueza da economia reforçou apostas em um corte de juros neste ano. Em resposta, ações dos setores de consumo, imobiliário e energia elétrica se destacaram no pregão. Lojas Americanas PN fechou em alta de 1,48%, Lojas Renner ON ganhou 1,97% e Cemig PN avançou 2,10%.