Indígena é o primeiro eleito conselheiro tutelar no Paraná

De Barbara Schiontek | 23 de janeiro de 2021 | 10:51
Foto: AEN

No dia 11 de janeiro, o estudante Joares Alves assumiu a presidência do Conselho Tutelar de Mangueirinha, no Sudoeste do Paraná. O jovem é natural da Tribo Kaingang e é o primeiro indígena eleito conselheiro tutelar no Paraná. Ele curso Administração na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

Joares fala como os órgãos governamentais podem atuar em prol de políticas afirmativas, para assegurar a permanência dos povos indígenas no sistema público de ensino superior. “Ao longo da graduação, fui adquirindo conhecimento e experiência, e isso me habilitou a concorrer tanto para a vaga de conselheiro tutelar quanto para a função de presidente do colegiado”, afirma.

A gestão do Conselho Tutelar tem período de um ano, sendo que o processo de seleção ocorre por meio de votação secreta entre os conselheiros. São considerados requisitos, como liderança, habilidade de articulação e relacionamento e conhecimento de legislações importantes.

Segundo Joares, o presidente de um conselho tutelar desempenha papel representativo, abrangendo atividades de coordenação, com autonomia para empreender ações mais direcionadas à garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes. “Minha atenção está voltada ao município como um todo, mas como conheço bem os desafios da reserva indígena, pretendo implementar parcerias estratégicas com outras instituições, contemplando projetos para essa comunidade”, destaca.

Kaingang

Os povos Kaingang habitam, há séculos, o Sul do Brasil. Com uma população de, aproximadamente, 25 mil pessoas, eles residem em cerca de 30 áreas indígenas diferentes nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Também estão em São Paulo.

Desde a promulgação da Constituição Federal, em 1988, os Kaingang passaram a participar ativamente de políticas públicas de Saúde e de Educação, valorizando sempre o uso da língua materna como elemento importante para afirmar a legitimidade das conquistas indígenas.

Colaboração AEN