Infância difícil fez de Butler o 'durão' que demorou para encontrar um lar na NBA

De Redação Estadão | 2 de outubro de 2020 | 09:30

A vida ensinou Jimmy Butler a ser um cara durão. E pessoas assim não agradam todo mundo porque, muitas vezes, não conseguem aceitar menos do que o máximo. O jogador de 31 anos jogou por Chicago Bulls, Minnesota Timberwolves e Philadelphia 76ers até se sentir realmente em casa no Miami Heat, que desafia o Los Angeles Lakers na final da NBA. O Jogo 2 acontece nesta sexta-feira, às 22 horas (de Brasília), no complexo da Disney, na Flórida. Mesmo após torcer o tornozelo, ele diz que vai atuar.

Presidente da franquia, Pat Riley ofereceu US$ 140 milhões (R$ 785 milhões) por um contrato de quatro anos e o status de estrela da equipe. Butler demorou menos de 20 minutos para dizer “sim” em um jantar com o dirigente e o técnico Erik Spoelstra. “Mais do que tudo, eles queriam que eu estivesse aqui. Disseram: ‘Você é o cara que queremos’. Não precisava me dizer mais nada”, relembrou o jogador. “Ser amado é o que qualquer pessoa quer no mundo, não apenas no basquete. Estou feliz por estar em casa.”

Butler também demorou para encontrar este sentimento fora das quadras. Ele superou uma infância difícil. O pai abandonou sua família quando ele era apenas um bebê e sua mãe o expulso de casa com apenas 13 anos, quando ele morava no subúrbio de Houston.

O garoto viveu na casa de conhecidos por muito tempo até ser adotado pela família de Jordan Leslie, que virou amigo de Butler após uma disputa de arremessos de três pontos. Era o que ele precisava para se dedicar de uma vez por todas ao basquete.

Depois de estudar e se destacar na Tyler Junior College, Butler obteve uma bolsa de estudo da Universidade Marquette, em Wisconsin. Após três temporadas no basquete universitário, com médias de 12 pontos, 5,5 rebotes e 1,7 assistências, o ala foi selecionado pelo Chicago Bulls na 30ª e última posição da primeira rodada do Draft da NBA de 2011.

Antes de detalhar o longo caminho que levou o jogador até o Heat é necessário abrir um parênteses para explicar o que ele pensa de tudo que viveu. Certa vez, um repórter da ESPN queria contar sua história. E ouviu de Butler: “Só peço que não escreva de uma forma que as pessoas sintam pena de mim. Odeio isso. Não há nada do que se arrepender. Eu amo o que aconteceu comigo. Isso me tornou a pessoa que sou. Agradeço os desafios que enfrentei.”

O tal cara durão fez seu nome na NBA, mas não conseguiu ter todo o sucesso desejado em Chicago. A franquia ainda sofria após os anos de glória com Michael Jordan. Foram seis temporadas, indo cinco vezes aos playoffs, sem nunca ter conseguido chegar à final da Conferência Leste.

A saída foi tumultuada. Butler reclamou que os companheiros não se dedicavam como ele. “Eu não acho que eles não estejam na mesma página que eu quanto a ganhar jogos. Definitivamente não estávamos na mesma página”, disparou. O desgaste foi aumentando, principalmente porque os dirigentes da franquia defendiam o “tank”, quando você perde propositalmente para ter uma melhor posição no Draft. Ele foi para o Minnesota Timberwolves, em uma troca que envolveu Kris Dunn, Zach LaVine e Lauri Markkanen.

Na nova casa, os mesmos problemas. Butler entendia que os companheiros não se dedicavam como ele. Bateu de frente com Andrew Wiggins e Karl Anthony Towns, os jovens talentos da equipe. Após apenas uma temporada se transferiu para o Philadelphia 76ers. Lá era para ele ser o jogador experiente em uma equipe construída em torno de Joel Embiid e Ben Simmons. A química não funcionou. Elton Brand, gerente geral do time, preferiu investir em outras opções e não renovou com o ala.

Em Miami, Butler, enfim, encontrou o ambiente que desejava. Mostrou o que queria dos companheiros logo de cara: apareceu 3h30 da manhã no ginásio para o treino que começava 10 horas. A equipe se tornou o seu espelho, muita transpiração mesmo sem ter os jogadores mais talentosos, como os dos Lakers de LeBron James e Anthony Davis.

A retribuição pelo esforço Butler faz em pequenos gestos. Após o novato Tyler Herro se destacar em uma vitória sobre o Boston Celtics nos playoffs, o ala apareceu no treino com a camisa da Whitnall High School, onde o jogador de 20 anos estudou. Ao chegar na final da NBA, ele foi dar um abraço em Erik Spoelstra vestido com o uniforme de número 30 do técnico na Universidade de Portland. “Vamos competir constantemente uns pelos outros”, afirmou. “A nossa convicção não muda: vamos lutar ao máximo e veremos até onde chegaremos”, completou.

Marcius Azevedo
Estadao Conteudo
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